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Luciana Bugni

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Patrícia Abravanel acha normal perdoar traição. E tudo bem mesmo

Universa

14/10/2019 12h46

Patrícia Abravanel e seu pai, o apresentador Silvio Santos, têm caprichado nas polêmicas recentemente. Gênio como é o pai, dono de um império de comunicação e referência há décadas para os brasileiros, ele sabe surfar no que precisar para alavancar a popularidade. Sua, de seu canal, de sua família.

Agora ele percebeu o potencial lacrador das redes sociais e dispara todo tipo de asneira semanalmente com o que me parece um objetivo muito claro: publicidade. Silvio está levando a sério o "falem mal, mas falem de mim". Às vezes chega a ser criminoso. Na internet, o lacre é um cola dupla face. Ricardo Feltrin soube explicar tudo isso aqui.

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Patrícia tem a esperteza genética de seu patrão. Ontem, em uma discussão sobre a hipotética situação de uma mulher ter traído o próprio marido, ela ligou a metralhadora da polêmica. Disse que é natural que o marido perdoe a mulher arrependida. Hellen Ganzarolli reclamou que traição não é normal. Patrícia deu uma patada dizendo que ela é santa do pau oco.

Eu conheço gente que traiu (tenho uma vizinha que fez, sabe). Eu conheço gente que foi traída (tenho uma prima que foi, juro). Conheço gente que perdoou. Conheço gente que não conseguiu lidar com a questão e o relacionamento foi para o vinagre. Conheço gente que perdoou e não conseguiu lidar com a questão a longo prazo (medo de sofrer novamente). Conheço gente que foi perdoado e não conseguiu lidar com isso também (medo do par resolver se vingar). Conheço gente que foi feliz para sempre depois do perrengue. Alguma dessas pessoas está errada?

Sim. A pessoa que trai está errada. Não apenas porque é moralmente errado ficar com outra pessoa que não aquela fixa, mas porque enganar os outros, mentir e magoar não é algo bacana. Sempre que a gente toma uma atitude, há de pensar: vou magoar alguém nesse processo? Qualquer pessoa. Se a resposta for sim, não faça. Todas as outras estão certas porque cada um é que decide o que vai fazer com a própria vida. Julgar se a pessoa que foi magoada deve ou não perdoar, sinceramente, não nos cabe.

O que não dá é pra Patrícia falar para uma audiência enorme que as pessoas devem perdoar. Colocar traição como escapada é minimizar uma situação recorrente que machuca muita gente. Ainda existe, infelizmente, uma crença de que é "normal" o homem dar uma escapada porque não tem sexo em casa e blá-blá-blá. Não é normal enganar o outro, não. A base dos relacionamentos honestos é dizer a verdade. Tem mulher que acredita que precisa perdoar, sofre calada, aceita o que não quer e só continua porque não entende que é possível (e delicioso) dar um basta na situação.

E, se o casal tem um acordo de dar escapadas mútuas e ninguém sofre com isso, maravilha.

O problema é a gente pensar  que traição está no acordo do casamento. Não está. Tem um jeito de conversar, de tratar bem, de conseguir inclusive mais sexo e ter um casamento monogâmico e feliz. E, se não for o seu caso, conversar sobre as vontades de ver o que há do lado de lá da cerca (tem muita coisa mesmo) e acertar o que pode e o que não pode. E também ficar feliz.

Agora, sobre a família Abravanel: objetivo alcançado novamente com sucesso. A polêmica está em alta há mais de 16 horas e, veja só, até eu caí nessa e estou falando sobre o assunto de novo. Ponto para eles.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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