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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Se seu chefe não for Silvio Santos, é melhor não ter inimigos no trabalho 

Luciana Bugni

18/03/2018 05h00

Tenta aceitar que dói menos… (Foto: Reprodução)

 

Você pode adorar o que faz, mas sempre tem um dia que vai para o trabalho se arrastando. Você pode amar o lugar onde trabalha, se dar bem com toda a equipe, mas tem sempre uma outra pessoa com quem o santo não bate. Acontece com todo mundo. Porém, não se entender com quem senta na mesa ao lado não dá o direito de passar o dia distribuindo patada. Não sou uma das pessoas mais fofas (até curto um barraco bem colocado), mas tenho cá para mim que no trabalho a gente precisa ser gentil com os colegas. Todas aquelas pessoas que estão lá todos os dias, incluindo você, não podem escolher ir embora quando se irritam com um superior ou um par. Como um tipo de cativeiro, ou um Big Brother não tão bem remunerado, você tem que ficar até as 18h, mesmo que esteja possesso com uma pessoa ou situação. Se o clima for ruim, fica bem complicado: inclusive para a produtividade do lugar, o que deveria ser o principal foco do patrão.

Lógico que tem todo o tipo de profissional: gente muito rápida, que nem consigo acompanhar; gente devagar demais, que faz perder um tempo; gente que quer aparecer; que puxa tapete; que te larga com buchas… é do jogo. A apresentadora Lívia Andrade se irritou com Mara Maravilha outro dia em uma gravação do SBT e reclamou para o chefe que ela queria aparecer demais. Silvio Santos, inteligente como é, usou o episódio para dar ibope e fez Mara sair carregada do palco por um segurança. Ele adora usar as funcionárias para fazer graça e funciona: seu público o venera. Lívia já declarou que não liga para as provocações da colega: "Quem vai chorando para casa é ela, eu durmo tranquila".

Me lembrou de uma situação com duas funcionárias uns anos atrás. Uma delas odiava a outra. Achava que ela roubava as melhores matérias, queria aparecer, fazia corpo mole… isso a consumia. Ela nunca reclamou para mim, que era chefe delas, porque sabia que a birra não tinha muito fundamento profissional. Mas contaminava a equipe com essas lamúrias e sofria com isso. Imagina ir trabalhar todo dia ao lado de alguém que você odeia? Isso resolve alguma coisa? A outra garota, alvo do ódio, nem tomou conhecimento disso. Nunca ficou sabendo que provocava sentimentos tão ruins em uma colega e, como Lívia Andrade, acredito que ia para casa dormir tranquila. Agora eu pergunto: adianta? Se seu chefe não for o Sílvio Santos, que vai converter a treta em resultado para a empresa, não vale, não. Ou se você não tem poder para demitir os desafetos… é melhor aceitar. Trate sinceramente todo mundo bem no escritório, estou te falando: isso só melhora seu dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).