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Silvio Santos pergunta ao vivo se Maisa sabe beijar. Por que isso é errado?

Universa

15/04/2019 18h31

(Foto: Reprodução)

Desde que existe adolescência, existem as perguntas para as meninas: já beijou? Já transou? É virgem?

Sandy que o diga. A garota passou metade da vida fugindo de perguntas sobre seus hábitos sexuais.

Pois bem, agora ela está mais perto dos 40 do que dos 30 e ninguém quer mais saber o que ela faz ou deixa de fazer. Libertaram Sandy. Glória. É a vez, no entanto, de outras meninas serem colocadas no alvo da curiosidade masculina.

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Maisa vive caindo nas garras de ninguém menos que seu chefe: o patrão Silvio Santos já forçou a barra para ela namorar um colega ao vivo, por exemplo.

A apresentadora e atriz é esperta e consegue se desvencilhar da situação com agilidade — mas não sem constrangimento. No domingo (14), volta triunfal das férias em Miami do patrão, ele atacou novamente. Perguntou se Maisa sabia beijar. Ela foi rápida em dizer que sim, pois é atriz. Não perdeu o rebolado e, mesmo diante da afirmação machista que se seguiu ("Homem não tem beijo técnico. Se a mulher é bonita, beija de língua"), se saiu bem.

Qualquer garota coraria — tente imaginar isso no escritório em que sua filha que, então com 16 anos, começa como Jovem Aprendiz. Imagine o chefe dela — um respeitável senhor de 88 anos, dono da empresa, perguntando se ela sabe beijar. Normal? Não, né?

A gente tem uma certa tendência a perdoar as atitudes do dono do baú. Primeiro, porque crescemos com ele. É como se tivéssemos que respeitá-lo pelo que representa em nossas vidas. Até eu, que sempre critico essas atitudes machistas, sinto uma certa preguiça de falar de novo disso. Mas é importante.

Se as amigas de meus filhos forem em casa e meu marido perguntar se elas sabem beijar, eu vou achar que ele as está assediando. Não é questão de ciúme. É de respeito mesmo. Elas ficariam constrangidas. Talvez rebatessem tentando colocá-lo em seu lugar. Mas numa relação de poder chefe/funcionário é mais difícil que a mulher reaja com desenvoltura.

Silvio provavemente não vai mudar. Ele tem quase noventa anos, é dono da firma, tem um séquito de brasileiros que o respeitam e o bajulam. Ele, que devia dar o exemplo, mostrar a inteligência imbatível que tem e se reciclar,  opta sempre por não respeitar as mulheres. Ele prefere ser engraçado.

É uma pena.

 

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

Luciana Bugni