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Luciana Bugni

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Geminianos: é melhor ficar bem longe dos nascidos entre os dias 21/5 e 21/6

Luciana Bugni

29/05/2018 04h00

Dr. House é de gêmeos e tem mil personalidades (Arte: Marília Filgueiras)

Gêmeos não é um signo. São vários. Um geminiano é a roleta russa do zodíaco. Você nunca sabe com quem vai encontrar no dia seguinte. Pode ser ele, fofo, que você conheceu na semana passada em uma balada underground e usava uma camisa xadrez linda. Pode ser o outro ele, que se esforça para tratar você igual vê o pai tratando a própria mãe. Mal. Pode ser ainda um outro ele, de personalidade obscura, que diga que não pode explicar o que sente porque seria um fardo muito pesado para que você carregasse também. Ou pode, ainda, ser alguém capaz de passar a noite beijando, fazendo cafuné e te fazendo de rainha.

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Parece interessante, mas aviso, não é. Em curto prazo, o geminiano vai fazer você elevar seus níveis de ansiedade aos mais altos patamares. Sudorese, roer unhas, insônia? Vai "estar tendo". Você não sabe nunca a forma como ele vai se apresentar, se vai terminar a noite na cama dele ou fechando o portão do prédio, quando o carro dele vai embora depois de … um suco.

Ele vai falar de restaurantes caros, de comidas finas, de vinhos das vinícolas mais importantes da América Latina, próximas a Catamarca, qualquer coisa que você ouviu dizer, mas não sabe bem onde. Valles Calchaquíes, uma região da província de Salta, ou uma outra cidade que tem uma pronúncia tão complicada que você não repetiria. Você vai ficar impressionada com o discurso, pensar que qualquer vinho seria mais vinho ao lado daquele homem barbado incrível.

Antes de se impressionar tanto, peça para ele abrir o vinho. Desastre. Homem que é homem tira a rolha intacta enquanto conversa de outro assunto, mas o geminiano, não. Vai estar tão ocupado se escondendo, que vai se atrapalhar, destruir a cortiça do mesmo jeito que vai destruir seu coração, sua vida, sua dignidade.

Mas, se mesmo assim, você resolver tocar esse barco, saiba que, depois de muito tempo, o geminiano vai arrumar um jeitinho de dizer que havia te traído. Para nada e por nada. Eles mentem. Mas aí, vem outra personalidade deles e diz a verdade. A gangorra não vai ter sentido, o gira-gira não para só porque você está enjoada. Quem quer estar num parque de diversões assim? Será depois de sete anos, no meio de uma festa de um amigo em comum. Ele dirá: "Mas eu andava disperso naquele tempo, porque estava envolvido com outra pessoa". Pessoas: serem que respiram, que andam e que, se tiverem certo charme e alguma inteligência, eles usam por um tempo. E jogam fora.

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Jogar fora é fácil. Isso se resolve do jeito mais geminiano que existe: ele vai cortar relações com você. Vai esquecer todas as vezes que você o ficou observando pintar um quadro, ou fazer riffs com a guitarra, ou dirigir. Vai colocar você no limbo geminiano. Você vai se descabelar, vai pensar que não é justo, vai culpar Deus e o diabo e talvez até o rock'n'roll. Ele não vai mexer uma palha. Não vai mais falar com você. E assim será. Assim terá passado.

Dizem que homem bom é homem sem signo e sem passado. Se o seu passado é um geminiano, você questionará a própria existência no prazo de uma década.

PS: Essa é uma obra de ficção, humor e desgraça sem qualquer embasamento científico ou astrológico. Qualquer semelhança com fatos, homens, namoros, casos e canalhas da vida real será mera coincidência.

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).