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Por que será que nesse BBB ninguém se pegou ainda?

Luciana Bugni

30/01/2020 04h00

Uma semana  preso em uma casa com pessoas bonitas, saradas, esculpidas pelo leg press. Há 20 anos, essa é a receita para o sucesso da pegação no BBB. Bastam as primeiras festas para a libido gritar mais alto, o álcool dar aquela mãozinha e pronto: todo mundo se pegar.

Quer dizer, parece que esse ano a coisa está um pouco mais devagar. Primeiro, rolou uma suspeita de assédio. Aí os homens começaram a fazer comentários sobre as "feias" mulheres lindas que estão na casa (e que eles só pegariam se estivessem bêbados). A internet achou estranho, porque os caras não são, assim, o modelo de padrão de beleza. E tudo bem não ser, o problema é criticar os outros.

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Então eles começaram a dizer que elas são frágeis, e que não dá para ficar com elas pois existe o risco de se prejudicar no jogo. Aí rolou novamente um movimento meio estranho e desrespeitoso (algumas delas perceberam, outras nem tanto). O fato é: ninguém se pegou. Não rolou nem flerte. Não rolou nada, exceto comentário machista e histeria na internet. Lá dentro, elas estão dizendo até que isso é misoginia.

Um fã do programa perguntou em que esgoto Boninho achou os caras, ele respondeu que nem ele sabia. Arrisco a dizer que Boninho sabe, sim. Eles procuraram atentamente por garotos machistas que dão esses "closes errados". A técnica funciona e a gente cai: olha eu aqui falando do BBB nesse portal. Resultado é audiência para o programa e para os sites. Todo mundo ganha. Quer dizer… todo mundo menos as meninas da casa.

Tenho outra teoria sobre o celibato na casa mais vigiada do Brasil. As mulheres perceberam que esses caras não valem muito a pena. Está acontecendo aqui fora, entre minhas amigas. Não dá mais para, em 2020, se arriscar a ficar com um boy lixo só porque ele é gostosinho. As ideias e a inteligência viraram um afrodisíaco imprescindível para a atração sexual. Acontece.

Lógico que os dias vão passar entre mergulhos de biquíni, fofocas e comentários de quem ainda não entendeu nem o básico do feminismo. A carência vai aumentar e talvez os integrantes da casa baixem a régua que mede quem merece ou não merece uns beijos. Mas que, por enquanto, está puxado para quem está na casa… olha, meu bem, tá sim.

Você pode discordar de mim no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo”, na “Contigo!” e em "Universa", aqui no Uol. E se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil. Mora também no Instagram: @lubugni

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

Luciana Bugni