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Luciana Bugni

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Cantora Thaeme é exemplo: odiar a sogra (e a nora) está fora de moda

Universa

13/10/2019 04h00

Até a personagem de Jane Fonda deve ter entendido isso (Reprodução)

Durante toda minha adolescência e idade adulta convencionou-se dizer que sogra só atrapalha. No imaginário comum, elas eram Jane Fonda, a vilã que perseguia JLo naquele filme. A mulher que, por ciúmes do filho (?), infernizava a mocinha — nós, nessa comédia romântica eterna que achávamos que vivíamos. Ou achamos, vai saber.

Já cheguei várias vezes a culpar alguma sogra pelas agruras que vivia nesse ou naquele relacionamento. "Não sou eu que vou corrigir trinta anos de educação equivocada", dizia sobre machismos que enfrentava dos parceiros, como se a culpada pelas atitudes erradas do cara fosse a mulher que o gerou.

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A gente não pode, de repente, se voltar então contra o sogro? Aquele cara que senta no sofá para o cochilo depois do almoço de domingo não tinha obrigação de ter criado bem os nossos pares? Ou de, pelo menos, lavar a louça? Parece que não. Ensinaram que a convivência com a sogra era torturante e assim seguimos. Lavando a louça para não deixá-la lá sozinha.

Foi o feminismo que nos mostrou que odiar as mães de nossos pares não faz muito sentido. E a elas: por que seria um bom negócio ter raiva a mulher com a qual o filho, ou a filha, vive? Parece mais um padrão de comportamento daquele tipo que nos foi imposto: todas as mulheres já nascem sendo bruxas e, por isso, são nossa pior inimiga.

Irrita quando a sogra chega na sua casa e dá uma medida no quão encardidos podem vir a estar seus panos de prato? Olha, não vou mentir para você. Irrita, sim. Agora, imagina o quanto deve irritá-la ver o filho que ela gerou e educou com tanto amor com alguém que não alveja corretamente panos de pratos. Eu sei que o pensamento não faz sentido. A sogra deve entender que você têm outras prioridades e infelizmente poucas horas para cuidar da casa. E também que o filho dela tem plenas faculdades para alvejar seja lá o que for.

Mas cabe a você, nora ofendida, entender que ela foi ensinada a valorizar alguns detalhes que deixaram de ser importantes. E é de fato difícil se reconstruir.

Entrar em outra família é complicado e independe de gênero. Cabe a todo mundo dar um passinho para trás e tentar entender o outro. Se a gente está aqui todo dia dizendo que todas as mulheres devem ser respeitadas, porque haveria de ser diferente com aquela que ama nosso marido e filhos?

A cantora Thaeme parece ter entendido isso e deixou claro nas redes a importância da sua em um post na sexta (11).  "Essa pessoa tão especial que tem sido meu braço direito, esquerdo, minhas pernas, minha cabeça, enfim, tudo aqui pra mim há 5 meses se dedicando à nossa família com todo amor desse mundo", ela diz. Parece justo e daqui de onde vejo, sincero.

No almoço de hoje, ou enquanto seu marido estiver lavando a louça para poupar a própria mãe dessa canseira, tente puxar assunto com ela de um jeito diferente. Sempre dá para aprender muita coisa com alguém que já viveu mais que você. E ela vai adorar seu interesse. Só vejo vantagens. 😉

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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