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Luciana Bugni

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Drake seguiu Anitta no Instagram: o que Rihanna tem a ver com isso?

Universa

28/09/2019 15h37

A história seria bem simples. Drake veio para o Brasil para um apresentação no Rock in Rio. Nessa noite, perceberam que ele começou a seguir Anitta, a quem conheceu pessoalmente no ano passado, nos EUA , nas redes sociais.

Parece bem plausível que um ídolo pop, quando vem a um país onde nunca esteve antes, procure as referências da música pop locais — e é inegável que Anitta seja o nome que mais se ouve falar lá fora atualmente.

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Daí, caberiam algumas suposições além dessa que citei acima: ou eles vão fazer alguma parceria, o que deixaria os fã da cantora empolgadíssimos, ou eles estão tendo um caso, o que deixaria os fãs da cantora empolgadíssimos também. Para aumentar a empolgação, ele seguiu também duas das melhores amigas da cantora. É um prato cheio para quem se empolga com o que tem no prato dos famosos.

Mas acontece que Drake é ex-namorado de Rihanna. E se tem uma coisa que é difícil para a galera superar na internet é fim de namoro dos outros. Gente do céu. Após se dar conta de que Drake estava seguindo Anitta, todo mundo já falou imediatamente de Rihanna. Que ela estaria incomodada, que ela está com ciúme, que uma brasileira está tomando o lugar da diva pop internacional, entre outras pataquadas.

Rihanna e Drake tiveram um complicado relacionamento que durou alguns anos, algumas músicas (e o hit sensual Work, work, work, em que ela se esfrega nele por alguns minutos e é bem gostoso de ver) e terminou em 2016. Se você se importa com quem seu ex de três anos atrás segue no Instagram, é urgente rever esse conceito. Mas, mais que isso, nunca foi Rihanna que quebrou casas noturnas, machucou pessoas ou ofendeu gente na internet. Pelo contrário. Quem deu barraco mesmo por causa dela foi Drake e Chris Brown (ex e agressor de Rihanna), num triângulo amoroso que movimenta o showbizz e já dura uns 10 anos.

Esse triângulo, sempre com o protagonismo dos dois homens envolvidos, já teve até uma quebradeira numa balada que machucou sério muita gente. O estopim da briga? Um dos dois ter afirmado ao outro que estava transando com ela. Ela, pelo que consta, nunca bateu em ninguém porque Drake ou Chris estavam transando com alguém. Muito menos na pessoa com quem eles estavam transando. Tenha a santa paciência.

Brigas entre homens são geralmente esquecidas — mesmo que o estrago seja gigante e outros inocentes paguem pela briga, como foi o caso da deles na boate. Os próprios homens apagam a história. Drake e Chris inclusive lançaram um clipe juntos em julho de 2019 e nunca mais falaram da treta. Bros before, eles dizem. Drake, inclusive, já usou a expressão "ho" (prostituta, em inglês) para se referir à Rihanna de um modo supostamente carinhoso (vê se faz algum sentido…).

Por que raios, então, Rihanna iria se incomodar com o fato de seu ex seguir Anitta no Instagram? Se fosse um dos homens com quem ela já namorou, até que podia vir algum barraco por aí. Mas ela não parece ser disso e está em outra, namorando.

A gente precisa pensar bem antes de reproduzir machismo na internet, mesmo quando é uma piada inocente. Não tem por que fomentar uma briga entre duas mulheres que nem se conhecem.

 

 

E podemos shippar à vontade (Anike? Drakitta?). O que não vale é presumir que toda vez que uma mulher se dá bem (há controvérsias, nesse caso), outra se ferra.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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