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Luciana Bugni

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Pai de Neymar confisca celular do filho: como devemos educar os adultos?

Universa

07/06/2019 19h31

Foto: Reprodução/ Campanha Publicitária

Neymar tem 27 anos.

Apesar de ter cara de bem mais novo, ser chamado de menino Ney, viver fazendo molecagens com os parças — e infelizmente estar deixando o futebol moleque bem para lá após sucessivas lesões –, Neymar é um adulto.

Ele tem 27 anos. O que você já tinha feito com 27 anos? Como entendia a vida adulta?

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É importante falar isso, por que já que a gente só fala de Neymar mesmo, então vamos tratá-lo como o que ele é: um homem, pelo menos no RG.

Dentre as muitas notícias que pipocaram no agitado noticiário dessa semana, uma delas me chamou a atenção. Neymar pai tirou o celular francês do filho, número que ele usava para falar com centenas de pessoas. Deixou com ele só um celular brasileiro, que tem menos contatos, para que ele não saia por aí "se abrindo com todo mundo".

Minha mãe já fez isso comigo. Na época não tinha celular, mas ela me deixou um mês de castigo por causa das notas na escola. Parece que, segundo minhas memórias, meus amigos estavam me influenciando a estudar menos. Então não podia falar com eles no telefone ou sair na rua pra ficar de papo por um período. Aí consegui me concentrar nos estudos e as notas melhoraram depois de um tempo. Eu tinha 13 anos.

Após alguns anos, no começo da vida adulta, respondia eu mesma pelo que acontecia na minha casa, no meu trabalho, nos meus estudos. Resolvia sozinha tudo o que acontecia nos meus relacionamentos (não sei se bem, mas resolvia). E de tanto resolver, uma hora aprendi. Lógico que poderia (e posso) escutar conselhos da minha mãe, por exemplo. Mas ela se reservava a falar o que pensava e nunca me coibia a agir como ela achava que eu deveria.

Hoje vejo meu enteado dando muita importância aos amigos. A vida dele gira em torno da próxima balada. Acho fofo, já fui assim. Mas uma hora a gente entende que os parças não resolvem a maioria dos perrengues — apesar de serem muito importantes pra sempre. Tem coisa que só a gente resolve. Chama vida adulta. É chato, você sabe. Mas inevitável.

Neymar não parece saber

Essa situação me lembrou uma ocasião, lá se vão quase 10 anos, no casamento de Denílson e Luciele Camargo, em que fui negociar pessoalmente uma entrevista com Neymar. Ele estava, sorridente como é, tomando um drink colorido. Falei sobre a ideia de ir até sua casa, na época em Santos, e fazer uma entrevista sobre o estilo de vida do então Menino da Vila.

Neymar sorriu para mim e disse para eu falar com o pai dele. "Eu não mando em nada", disse rindo. Fiz isso, combinei com Neymar pai diretamente e em poucas semanas estava dentro do apartamento deles.  A entrevista foi no salão de jogos de um tripléx numa área nobre de Santos. O pai dele mandava mesmo, afinal, ele tinha acabado de completar 18 anos.

Tenho a sensação de que o tempo passou só para mim. De lá para cá, ele tem um pouco mais de barba no rosto e já sabe dirigir, é verdade, mas continua sendo o menino que entrevistei aquele dia. Com muitos mais milhões.

Isso não é um elogio.

Seu pai tem que lhe orientar a ficar sem o celular, para que o filho "se controle".

Como disse um leitor do Uol, quem tem que se afastar dele é o próprio pai, para deixar o menino Ney amadurecer por conta própria.

Aí quem sabe.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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