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Neymar e Marquezine: por que a gente cai nessa tentação de voltar com o ex?

Luciana Bugni

05/01/2018 07h16

A gente não tem nada a ver com isso, mas a foto do beijo tem mais de 6 milhões de coraçõezinhos, né? (Reprodução: Instagram)

 

A do notícia do ano até agora é do ano passado. Ou de 2016? Neymar e Bruna Marquezine se beijaram. Neymar e Marquezine estão juntos. Neymar e Marquezine voltaram a se seguir no Instagram. Marquezine postou texto de Caio Fernando Abreu. Neymar postou foto da namorada e do filho. Hashtags eu te amo pra lá e pra cá. Marquezine chorou ao se despedir de Neymar. Neymar voltou para Paris sem Marquezine.

Antes de continuar a falar sobre o assunto, é importante a gente lembrar: não temos nada a ver com isso. Quer dizer, eu até tenho, porque sou jornalista, mas não devia ter. O certo mesmo é que ninguém devia se importar tanto com o vai e volta do namoro das celebridades, né? Então por que todo mundo quer ler essa notícia?

Às vezes eu acho que Neymar e Marquezine são o que a gente espera ser. Bonitos, jovens, atléticos e ricos. Curtindo a vida com os amigos. Eles são o Brasil que deu certo. E quando eles sofrem por amor, algo não encaixa. Se esse namoro engrena, a nossa esperança volta. O amor existe, feliz 2018!

Estou exagerando? Claro que estou. Sabemos por experiência própria ou pelo velho "tenho um amigo que fez" que voltar com o ex não é a receita da felicidade, não. Aliás, cá entre nós: se um namoro chegou ao cúmulo da briga a ponto de acabar, por que depois de um tempo separados ele vai magicamente dar certo? Sei, cada história é uma história. Mas o que tem de namoro que acaba, volta e acaba de novo de maneira tão ou mais traumática… o próprio #brumar já viu isso acontecer umas quatro vezes, se não me falha a memória.

Na vida real sobram histórias: um amigo traiu a namorada, que depois de um tempo magoada decidiu perdoar e voltaram. Ela deu a volta por cima, maravilhosa, esqueceu o que houve, voltou a amá-lo, entrou pra academia firme e forte, ficou toda confiante e trabalhada nos músculos — o que a deixava com a autoestima em alta. Ele, arrependido pela pulada de cerca, entrou em parafuso. Achava que ela estava mais bonita pra se vingar e ia trai-lo a qualquer momento. Resultado: terminou com ela por insegurança. Namoro que foi, voltou e acabou de vez.

Outro conhecido, depois de muito vai e vem, casou e teve uma filha. Agora vai! Quando passou o turbilhão da primeira infância da menina, o casamento foi de novo pro buraco. Acostumados que estavam com o iô-iô da relação, se separaram. E voltaram. E se separaram. E voltaram. E se separaram. Juro. A certidão de casamento deles tem tanta averbação que precisou de um anexo. Haja esperança!

Mas claro que tem as histórias positivas. Taís Araújo e Lázaro Ramos, por exemplo. O estereótipo de casal feliz. Eles parecem tão perfeitos juntos que nem consigo acreditar que chegaram um dia a ficar separados. Que bom que voltaram! O mesmo vale pra Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Que coisa linda de ver. Minha mãe e meu pai. Namoraram, terminaram, voltaram e ficaram juntos levando a sério o "até que a morte os separe". Detalhe: a morte os separou, mas minha mãe tá nem aí, usando aliança até hoje. E se alguém questionar, ela responde certeira: eu tenho marido, ele só morreu. E o que a gente tem a ver com isso?

Quem disse que voltar com o ex dá certo? E quem disse que não dá? Vida longa ao #brumar. Vinícius de Moraes já foi definitivo: que seja infinito enquanto dure, mesmo que dure várias e breves vezes!

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

Luciana Bugni