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Lady Gaga e Bradley Cooper: quem quer os dois juntos não entendeu nada

Universa

25/02/2019 15h45

Desde a madrugada de segunda, quando Lady Gaga começou a gritar no microfone que está mergulhada nas profundezas e que nunca vai chegar à terra firme, enquanto tocava o piano com veemência, o planeta congelou.

A cena na cerimônia do Oscar tomou proporções ainda maiores quando Bradley Cooper decidiu se levantar de sua banqueta, colocou o microfone de lado e se sentou do lado dela no piano. Ele então colou seu rosto no da cantora, colocou sua mão nas costas dela e terminaram de cantar os versos de Shallow de olhos fechados — não é a primeira vez que isso acontece longe do cinema.

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A cena podia ser do filme "Nasce uma Estrela", dirigido por  Cooper e estrelado por ambos. Mas era real, numa cerimônia transmitida para o mundo todo, que evidenciava o que quem já tinha visto o filme sabia: o casal tem uma química absurda, daquelas que faz a gente suspirar baixinho e querer um amor desse para chamar de nosso.

Desde o lançamento do filme, em outubro de 2018, o público enlouqueceu torcendo para que os dois fiquem juntos na vida real. Detalhe: Bradley é casado e tem um filho de 1 ano com a modelo Irina Shayk. Lady Gaga também era comprometida, mas terminou o relacionamento com o noivo, Christian Carino, recentemente, turbinando as teorias de que estaria apaixonada de verdade por seu parceiro.

Quando Bradley levantou de sua banqueta e foi, decidido, ao encontro da parceira, o público passou a torcer por um beijo. Uma confusão louca de personagem com artista e envolvimento artístico com paixão e desejo sexual. E está certo isso?

Essa química da parceria do mundo das artes não é novidade. Muitos parceiros que funcionam nas telas fazem com que o público torça para que eles virem casais na vida real. É  caso de Kate Winslet e Leonardo di Caprio, amados desde Titanic (1996), amigos há mais de 20 anos. Se eles são apaixonados? Claro que são! Não dá para ter uma sintonia daquele tamanho sem um grau de envolvimento que transborda a relação profissional.

Mas eles vão transar? Pode ser que sim, pode ser que não. Mesmo quando não há sexo, é plenamente possível se apaixonar pela arte do parceiro e agir daquela forma que Bradley agiu ao dividir o banquinho do piano com Gaga. E também é possível que essa realização profissional artística transborde e vire um desejo incontrolável.

Muita gente diz que ele está traindo a mulher ao fazer aquilo. Eu, particularmente, ia tremer na base se a parceria profissional do homem que eu amo fosse uma Lady Gaga exalando talento (e com um diamante daqueles no pescoço).

Mas quem se envolve com artistas, sejam homens ou mulheres, sabe muito bem que é do jogo. Eles vão fazer cena nus com outra pessoa, vão se encantar com alguns projetos e só falar disso… isso não significa que vão transar e se divorciar de seus pares.

E, claro, pode ser que isso aconteça. Estamos todos correndo o risco de nos apaixonarmos ao dividir o banquinho do piano em plena cerimônia do Oscar, ao encontrar alguém no metrô, ao levantar para pegar água na copa da firma. Resta saber em como você lida com isso e se está aberto ou não. Tendo a achar que pessoas comprometidas devem evitar esse tipo de confusão — que costuma dar mais problema do que vantagens. Mas cada um é que sabe.

Agora, o que não me parece muito certo é confundir tudo, torcer para Bradley beijar Gaga mesmo que a mulher esteja na primeira fila assistindo — e depois ficar na internet dizendo que é um absurdo José Loreto trair Débora Nascimento.

Não tem nada mais potente que um violão dedilhado e um piano nervoso para deixar o nosso coração carente aquecido. Bradley e Gaga aparentemente estão cumprindo seu papel nisso e inspirando as pessoas a amar.

A gente não precisa que eles façam nada além disso. Mas, como diz a letra de Shallow, não estamos felizes nesse mundo moderno e sempre queremos mais.

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

Luciana Bugni