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Luciana Bugni

José Loreto teria um caso com colega de elenco: a culpa é só da mulher?

Universa

20/02/2019 04h00

(Foto: AgNews)

O casal é perfeito. Eles são lindos. A filha deles é linda. Eles faziam posts apaixonados. Eles pareciam se amar.

Essas foram as primeiras frases que ouvimos por aí quando pipocou a notícia do divórcio de Débora Nascimento e José Loretto.

Quase imediatamente, a lamentação deu espaço à boataria: parece que José Loreto teve um caso com uma colega de trabalho. O caso é um clássico nos divórcios de casais "perfeitos". E não demora dois posts em redes sociais para a culpa cair, claro, na amante.

Ela é uma vagabunda. Não é a primeira vez que ela faz isso. Que falta de caráter. Como pode uma mulher fazer isso com outra?

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Situação delicada no caso de Loreto e Débora.  Ela parece estar lidando bem com isso. Mas nem importa para quem comenta. O legal mesmo é detonar a possível "pivô", nesse caso Marina Ruy Barbosa.

Também casada, ela já negou tudo. E, supresa, virou a vilã da história. Outras atrizes deixaram de segui-la nas redes sociais.  Ela virou a causadora de todo mal que existe na humanidade.

Não ouvi uma única pessoa comentar sobre o verdadeiro pivô do divórcio — o homem que supostamente largou sua mulher e filha pequena para ficar com uma colega de trabalho.

Já vimos esse filme: o divórcio de Grazi Massafera e Cauã Reymond tinha uma única culpada, Isis Valverde. Ela foi atacada, ela ficou na geladeira, ela é odiada até hoje porque, solteira, supostamente teve um caso com um cara casado. Isis não pode nem poupar o filho de fotos nas redes sociais que o planeta critica. Grazi já tinha até feito piada com o assunto, mas o resto da humanidade não perdoou Isis.

Cauã, que largou mulher com filha em casa e, segundo dizem, passava temporadas na casa da amante, dentro do próprio condomínio, nunca foi culpado pelas próprias atitudes. Aliás, alguém deixou de amar Cauã Reymond por isso? Ele foi inclusive mais condenado por ficar pelado dentro da própria casa perto da janela do que por trair a mulher. A moral da galera é bem engraçada.

Ficar com alguém casado não é legal

É claro que não é legal ficar com um cara casado. Se isso acontecia sem grandes crises de consciência no passado, hoje a história é outra. Mulheres pensam nisso de uma outra forma. Temos informações de feminismo o suficiente para percebermos que não é legal fazer outra mulher sofrer.

Mas a amante que não pensa na mulher do cara não foi ensinada a ter um princípio básico das relações humanas que se chama sororidade. E o fato de não conhecer o conceito não diz tanto sobre ela quanto diz sobre a sociedade machista em que vivemos. A gente não foi ensinada a respeitar as outras mulheres e, sim, a concorrer com elas. É horrível? É. Crucificá-la resolve? É claro que não.

Porém, é bom não esquecer: a amante não se coloca em uma situação dessas sozinha. O culpado é o cara que sai de casa, dá um beijo na mulher, paga de bom moço (e de pai dos sonhos) nas redes sociais e então fica trocando mensagens de texto de cunho sexual com alguém.

Esse é o cara sacana na história.

Ter um filho não é uma missão fácil para um casal, mas é ainda mais desgastante para a mãe. Eu na situação de mãe de criança pequena vejo com certo assombro que um homem ache simples sair de casa e trair sua mulher que está com um bebê no colo. Como um homem e uma mulher podem estar em sintonias tão diferentes?

Se a traição é fato, o tempo vai ensinar a Marina que esse tipo de atitude não é legal com outra mulher  — e o desgaste nem vale a pena.

Mesmo assim, essa grande vingança contra a atriz me parece sem fundamento. Além disso, deixar de seguir no Instagram é uma vingança de 5ª série.

Mas até aí, 2019 parece ser mesmo um longa e interminável 5ª série.

 

 

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo”, na “Contigo!” e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso para atravessar a era digital com um pouco menos de drama. Sororidade e respeito ao próximo caem bem pra todo mundo.