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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Como Sheila e Xuxa: por que a gente se espanta com quem trata o ex bem?

Universa

08/08/2018 05h00

O casamento acaba, mas o respeito podia durar para sempre (Foto: Reprodução)

Separação é um negócio muito triste. Parece bobagem, mas até quando a gente nem conhece as pessoas, dá uma tristezinha de ver o casamento fracassar. Essa semana, foi a relação da dançarina Sheila Mello e do ex-nadador Fernando Scherer, o Xuxa, que acabou. Ainda mais que esse romance começou na televisão, durante o programa A Fazenda, da Record. E Brenda, filha dos dois, de 5 anos, sai tanto na mídia desde o nascimento, que parece que a conhecemos.

Mas a polêmica nem foi o divórcio, veja só: a internet ficou louca mesmo porque Xuxa defendeu a mulher, ou ex, nas redes sociais. Se ele defendesse um dia antes do divórcio, ninguém diria nada. Mas no dia que a mulher vira ex, aí já era: ela não merece mais qualquer crédito por parte do marido. O mesmo vale para mulheres a respeito do ex. Parece que existe uma lei em algum lugar que diz que se o casamento acabou, os envolvidos precisam se odiar. Respeito? Não… Mesmo que eles tenham filhos juntos – que, sabemos, deviam ser a prioridade de qualquer pessoa.

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Particularmente, não sou muito boa nesse negócio de odiar ninguém. Entendo que existam muitos relacionamentos que acabam das maneiras mais dramáticas possíveis: traições de vários tipos, brigas por bens e por dinheiro e uma intensa frustração pelo fim da relação (cuja culpa é invariavelmente jogada no outro). Mas se o casal tem filhos, eu sinto muito. Todas as tretas deviam ir para outra pasta e a principal preocupação deveria ser criar essa criança em harmonia.

Lógico, tem casos e casos. Se um dos genitores é alcoólatra ou sofre qualquer outro tipo de adição, é diferente. Se agride o cônjuge ou as crianças, a situação deve ser resolvida de maneira legal. Mas a grande maioria dos casos é de pessoas que não se suportam por outros motivos – que poderiam ser considerados contornáveis.

Afinal, o amor por um filho deveria ser superior a qualquer desavença. Parece óbvio, parece simples, mas a prática é bem diferente no que vemos por aí. Por isso todo mundo se espanta quando vê Xuxa elogiar a ex nas redes sociais. Imagina que absurdo, você dizer que a pessoa com quem você foi casado é legal? Pensar que se você amou alguém um dia a ponto de casar com ela pode amenizar a raiva e ajudar a manter a calma na hora de tratar assuntos das crianças, pelo menos. Se não for por respeito ao ex, que seja por amor ao ser humano que você colocou no mundo.

O saldo, no futuro, será positivo: você terá criado um filho feliz e uma pessoa legal.

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).