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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Postar no Instagram quando termina o namoro é passar recado para o ex?

Luciana Bugni

20/07/2018 05h40

O noivado terminou, mas as fotos continuam nas redes e campanhas publicitárias (Foto: Divulgação)

Pior que terminar o namoro, é terminar o namoro em tempos de redes sociais. Se você for famoso, então, meu amigo… O caso da semana foi o casal global Chay Suede e Laura Neiva, de casamento marcado para dezembro. Tá, a relação acabou. No ar, fica aquela dúvida se ainda se deve acreditar no amor.
E se não bastassem essas questões, vem o porém: como proceder na internet? O tema parece besteira, mas tira o sono de recém-solteiros por aí. Chay e Laura já tinham deixado de se seguir no Instagram ontem – e acredito que, como são pessoas famosas e ricas, não tenham aquele problema de trocar a senha da Netflix. Eles optaram por não apagar as fotos um do outro. Ok, tudo certo.
Mas aí vem o dia seguinte ao fim de uma relação. Aquele dia em que você acorda com a cara inchada e precisa tocar a vida. Tocar as redes sociais. Ih, opa. Como se mostrar para o mundo depois de tomar um pé na bunda – ou dar um? O que você vai postar?
Laura saiu na frente e virou notícia. Mandou logo um nude (expressão jovem usada quando as pessoas mandam fotos sem roupa para os crushes – tem um dicionário de gírias aqui). Lindíssima, elegante, com aquele corpo que as revistas nos ensinaram que é um corpo perfeito. De botas compridíssimas que quase alcançavam a altura das nádegas. Sexy. Uau.
Será que ela quis dizer algo ao ex quando postou a foto?, a internet pergunta eufórica. Não saberemos. Mas o que ela disse ao mundo é que está muito bem, obrigada. Como se a imagem em que sua beleza física sobressai a qualquer outra informação apagasse o sofrimento que ela pode estar sentindo. E pode não estar sentindo nada, o namoro pode ter acabado e pronto, fim de papo, ela posta o que quiser. Pode ser inclusive uma libertação: "finalmente vou poder colocar aqui essa foto que meu namorado sempre censurou…" Esse negócio de postar coisas na internet é tão ingrato que mesmo que ela não queira passar recado nenhum todo mundo fica tentando descobrir o que ela queria dizer com isso. Em tempo: Chay também parecia ótimo, na praia com um amigo numa selfie, no dia seguinte ao término, mas ninguém ficou dando palpite.

Um jeito de mentir para si mesmo e para todo mundo de uma vez

Mas deixo Laura de lado (ela trabalha com a própria imagem e tem mais é que exibí-la quando achar conveniente) e falo um pouco de nós. Por mais de que valha o "a rede social é minha, eu posto o que eu quiser", a gente pode se enganar com o que coloca lá. Outro dia, olhando as fotos em meu celular, encontrei imagens lindas de uma viagem que fiz para Minas. Os dias estavam azuis, estava calor e as paisagens eram maravilhosas. Mas a viagem tinha sido um desastre. As crianças detestaram os passeios escolhidos, eu tinha um bebê pequeno que me dava muito trabalho, ninguém se entendeu num dos dias e brigamos feio. O saldo que ficou para mim da viagem foi de dar arrepios. Não é isso que as fotos dizem. Estamos lindos, sorrindo, em cenários bacanas. E aí? Se eu posto aquela foto e digo ao mundo que foi legal, eu acredito naquilo?
E, se eu postar, acreditar e pensar que minha vida é perfeita do jeito que está no Instagram, ela melhora mesmo? A resposta óbvia é não. Ou sim? Quando recebemos likes e comentários, quando elogiam nossa roupa, nosso cabelo ou nossa cara nas fotos… fico mais feliz? Ou será que estamos colocando uma tampa bonita, via Instagram, numa panela cheia de problemas?
Se mentir para si mesmo já é um problemão, imagina mentir para todos os seguidores e acreditar naquilo. Será que não está aí a nossa dificuldade de achar o que está errado conosco? Tirar a tampa da panela de problemas pode ser o primeiro passo para resolvê-los.

TÁ TUM TUM

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Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).