Luciana Bugni

Príncipe George aponta arma de brinquedo para o rosto de Kate: É normal?

Luciana Bugni

12/06/2018 04h00

Sério, gente? (Foto: Steve Parsons / AP)

A cena é clássica da realeza britânica: a duquesa Kate está sentada em um belo gramado. Perto dali, o marido, o príncipe William, joga pólo em um evento beneficente. Os dois filhos mais velhos do casal, George e Charlotte, brincam ao lado da mãe. O sol brilha, a mãe sorri, a filha faz caras e bocas com um par de óculos de sol, o filho mais velho aponta uma pistola para o rosto da mãe…

Quê? Sim, a improvável cena aconteceu no fim de semana no Maserati Royal Charity Polo Trophy, no Beaufort Polo Club, em Gloucestershire, na Inglaterra. A pistola em questão, nas mãos de George (o principezinho enxaqueca, que vive fazendo caretas para as câmeras) era logicamente de brinquedo. Mas em tempos em que a discussão sobre porte de armas está tão em voga, é importante debater: armas de plástico são brincadeiras adequadas para crianças?

Será que devemos normalizar esses brinquedos? (Reprodução Twitter)

Até quem é defensor ferrenho do porte de arma acha que revólveres de verdade não são coisa para ficar na mão de criança. Lógico que ninguém pode se ferir com uma arma de plástico. Mas a brincadeirinha inocente torna natural o ato de empunhar o objeto. Duvido que, no palácio, príncipe George encontre uma arma perdida em alguma gaveta que possa causar qualquer acidente. Ele está a salvo. Mas a imagem, que circulou imediatamente nos quatro cantos do mundo, acaba banalizando o uso de brinquedos assim.

Muita gente vai dizer que nos 80 (aquele “tempo bom”, em que podíamos fazer piada com mulheres, gays e negros) arminhas de brinquedo eram normais e ninguém ficava nessa patrulha. Pois é. Nos anos 80 eu andava até no porta-mala da Belina por mais de 30 km até a casa da minha tia, sem qualquer acessório de segurança. Era ótimo, eu e meu irmão nos divertíamos muito. Mas não é porque eu fazia que eu vou deixar meu filho fazer, oras! É aquela velha história de que as coisas mudam, as pessoas evoluem e a gente muda de opinião, como fez Gaby Amarantos.

Veja mais:

Brincar com armas banaliza a violência de um modo muito sutil. Se a criança gosta de fingir que está atirando na cara da mãe, sem ter a menor noção do que aquilo representa, orre um risco de fazer isso com uma arma normal sem se dar conta. A gente não sabe o que tem na gaveta dos pais dos amiguinhos de nossos filhos. E se ele acharem um revólver de verdade, carregado para “proteger o cidadão de bem dos bandidos que andam por aí”? Quantas e quantas histórias trágicas a gente ouve por conta desses acidentes? Na minha casa, meu pai tinha expostas no corredor várias espingardas, herança do período de caça do meu avô. Enferrujadas, elas não ofereciam perigo à ninguém, pois não funcionavam. Mas assustavam as visitas que entravam e se deparavam com aquele arsenal. Eu cresci ali, sabendo que as armas eram inofensivas. Será que não teria curiosidade de mexer em alguma pistola que por ventura encontrasse na casa de um amigo? Só de pensar na cena já perco o ar, de agonia. Logo, minha mãe deu um jeito de se livrar dos “enfeites”. Vou te falar: não fazem a menor falta.

Tem tanto brinquedo mais interessante… Isso sem falar que armas de brinquedo, nas mãos de bandidos, são facilitadores de assalto. E pior, muita gente já morreu ao acreditar estar sendo ameaçado por uma pistola falsa e descobrir, tarde demais, que era de verdade. Já fui assaltada várias vezes, até perdi a conta. Mas em nenhuma delas teria me sentido mais segura se estivesse armada. Aliás, acho que isso teria piorado bem as coisas para o meu lado.

Se Kate usa até roupas repetidas para dar exemplo e não incentivar o consumo, ela devia ter se posicionado sobre a brincadeirinha de George. Afinal, tudo que eles fazem vira espelho para muita gente.

Encerro esse texto com um diálogo do Twitter: ler, refletir, pensar que está errado e mudar. É possível, até aqui nessa terra de ninguém chamada internet.

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre dois adolescentes, um bebê e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita comerciais na TV, conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e a revista “AnaMaria”. Já trabalhou no “Diário do Grande ABC”, “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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