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Luciana Bugni

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Príncipe William cochilou num evento: finalmente vida real na família real

Luciana Bugni

26/04/2018 15h13

Toda linda, saindo do parto. Mas o pai participa, gente! (Foto: Getty Images)

 

Confesso que quando eu vi Kate Middletown sair do hospital sete horas após o parto do terceiro filho com aquela cara ótima, o único sentimento que consegui ter foi inveja. Não por sair do hospital rápido, o que é comum na Inglaterra — aliás, por mim ficava uma semana lá na maternidade descansando enquanto as enfermeiras me ensinavam o que fazer. O que pegou para mim foi a cara bonita mesmo. E o salto. Fiz um rewind na minha vida até o dia do parto de meu filho, pouco mais de um ano atrás. Depois de 15 horas de trabalho de parto, das quais passei quatro agachada fazendo força, eu não conseguia nem mexer as pernas direito, imagina botar um salto. Isso sem contar os pontos — a gente não gosta muito de dizer, mas mesmo no parto natural sem intervenções médicas desnecessárias, o bebê pode sair rasgando tudo e é preciso costurar depois. Teve também os sangramentos — no meu primeiro banho sozinha, umas seis horas depois do parto, saiu um coágulo tão grande de dentro de mim que achei que tinham esquecido alguma coisa lá dentro. Desculpem, é muita intimidade, mas imagina Kate com essa hemorragia em frente às câmeras? Acho que mais mulheres, como eu, ficaram estarrecidas ao ver aquela princesa linda, plena, quase saltitante depois de parir. "Mas é o terceiro filho, dizem que praticamente escorrega", tentou me consolar meu marido. Ok, mesmo assim.

Aos poucos a sensação de inveja deu lugar à uma estranha solidariedade. Coitada da Kate, gente. Pariu, teve que se arrumar, alguém foi lá maquiá-la, ela foi obrigada a vestir uma roupa boa quando só queria usar um pijamão, e calçou sapatos de salto para posar para fotos. Nunca saberemos como ela estava de verdade porque ela é mulher do príncipe da Inglaterra e não pode estar feia, desajeitada ou cansada — nem depois de parir! Já comecei a me sentir sortuda por poder lidar sozinha com meus coágulos sem dar satisfações mundiais sobre o estado de meu filho ou o nome que ele terá. Mil vezes uma vida real sangrando, com dor nos pontos, do que fotos na internet dizendo que estou como não estou. Essa obrigação de estar bem porque os outros querem que a gente esteja me dá nos nervos. Afe, Kate, que barra ser você nesse momento (em todos os outros deve ser bem legal sua vida. Menos nos eventos chatos, Deus me livre).

Mas aí vem príncipe William, possível próximo rei da Inglaterra, filho de Charles e Diana, aquele menino que a gente conhece desde que nasceu — só que agora com menos cabelo. Três dias após o parto do terceiro filho, esse membro da família real foi a um desses eventos (afe, gente, força aí), na Abadia de Westminster, em Londres, para o memorial do Anzac Day, em homenagem às vítimas da batalha de Galípoli, na Turquia, em que dezenas de milhares de soldados das Forças Armadas da Austrália e da Nova Zelândia e do Reino Unido foram mortos na 1ª Guerra Mundial. E lá, junto do irmão Harry e de sua noiva Meghan Markle (eles vão se casar em maio), William deu uma pescada! Sim, uma pescada, dessas que pessoas reais dão quando estão em eventos chatos. Essa cochilada básica que você está tentando evitar agora no trabalho, sabe? Então, o príncipe vacilou, deu uma dormidinha, devidamente filmada e documentada para sempre. Ufa! Obrigada, William! Além de mostrar que você é uma pessoa de carne e osso que sente sono como todos os outros, ainda sugere que está participando das primeiras noites do caçula em casa com a sua mulher. Não faz mais que a obrigação, mas que fofo!

Com vocês, a real dormida Real!

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).