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Boca Rosa e Fred não têm rótulos na relação. E por que precisariam ter?

Luciana Bugni

10/09/2020 04h00

 

Imagem: Reprodução/Instagram

Namoro na adolescência, noivado, véu, grinalda, apartamento na planta, um cachorro, um filho, dois gatos, outro filho é ok.

Ir ficando aos trancos e barrancos desde a faculdade, brigar às vezes, viajar junto uma vez, dar um tempo, namorar outras pessoas, se encontrar por acaso, transar empolgadamente, repensar a vida e voltar a ir ficando aos trancos e barrancos é ok também.

Não tem errado quando a gente está falando do relacionamento dos outros. Cada um decide se prefere namoro com bênção dos pais ou relacionamento aberto, ou sem rótulos, ou sem amor. Tudo da lei.

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A discussão apareceu essa semana, quando Bianca Andrade, youtuber e ex-BBB conhecida como Boca Rosa, declarou ter uma relacionamento com o também youtuber Fred, do canal de futebol Desimpedidos. Ela explicou: "Ele tem o mesmo pensamento que eu. A gente não intitula o nosso relacionamento. Ele quer ser pai solo, não quer se casar… nem eu. Ele é meu parceirão, é muito importante para mim, uma das pessoas que eu mais gosto na vida! A gente não tem rótulo, porque estamos tentando entender que formato funciona para a gente. A gente já tentou muitas vezes. O que importa é quando ele está comigo e eu estou com ele e acabou. O resto é vida dele. Ele é livre, faz o que a consciência dele pede, o que ele quer, eu também, mas sempre mantendo um amor".

Parece mesmo bem resolvido. Às vezes a gente fica mais tempo sofrendo por achar que precisa chamar namoro, quando na verdade precisa só estar junto. E pode também estar sozinha. Tudo certo.

Mas…

Fiquei pensando que nem todo mundo tem a pegada da Youtuber. Na verdade, é difícil segurar o rojão da expectativa nas relações amorosas. Por mais que se queira deixar a pessoa livre, como diz Boca Rosa, rola uma agoniazinha de ficar sozinha. Ela diz "a vida é dele". Mas quem consegue sustentar isso e colocar a própria individualidade acima da relação – ou dos planos de relação? Deveríamos sempre. A prática é meio diferente.

Fui perguntar para quem viveu isso recentemente.

No Instagram, recebi respostas maravilhosas de seguidoras. Vou colar algumas aqui, para, se você estiver sofrendo encurralada numa relação sem rótulos, printar e ler todo dia antes de dormir.

– Se você lida bem com sua solidão, ok. Se for carente nível grude, sofre.

– É saber que no perrengue e datas comemorativas pode passar sozinha e seguir.

– A gente sabe que não vai para a frente. Só posterga e quebra a cara: não é amor, é cilada.

– É bom enquanto dura. Divertido sem cobrança e termina sem grandes traumas.

– Pesadelo.

– Não tenha esperança de algo sério, pois nunca vai acontecer.

– Foi a pior perda de tempo da minha vida.

Uma delas fez uma análise da diferença entre sem rótulo e andar de mão dada: "seria ótimo se o cara não ficasse com aquela coisa de 'ai, você está se apegando'. Carinho não é amor". Eita, que forte.

Em outra conversa, uma seguidora me contou sobre como os homens usam a relação sem nome para fazer o que quiserem – mas isso não inclui ficar sabendo que você ficou com um conhecido dele. Aí fecha o tempo. No mais, ela me disse que percebe que eles usam máximas bonitas como "quem precisa de rótulos?" para transar com quem veem pela frente. Geralmente sem camisinha. Hm, me parece perigoso.

Resumo geral: não se pode questionar uma mulher que venha à público dizer que tem uma relação amorosa sem rótulos e está lidando bem com isso. O que a gente pode questionar é as nossas próprias relações.

Ninguém precisa de rótulos. A gente precisa ser respeitada, ter companhias agradáveis, jantar legal, tomar uns drinques de vez em quando, saber a importância daquela conchinha naquela noite específica e poder ficar sozinha sem cobranças quando bem entender.

O que a gente não precisa é se contentar com migalha. Ainda mais agora, no meio de uma pandemia em que está mais que provado que podemos fazer o pão inteiro em casa — migalha é muito pouco. Solidão é dolorida, mas meia solidão, de alguma forma, dói mais ainda.

E só você pode fazer essa análise – seu copo está meio cheio ou meio vazio? Vale a pena esvaziar de vez e botar outra coisa mais gostosa lá dentro?

A gente pode falar mais disso no Instagram.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo”, na “Contigo!” e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso para atravessar a era digital com um pouco menos de drama. Sororidade e respeito ao próximo caem bem pra todo mundo.