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Festa no dia dos pais: aceitar novo normal é mais chato que seguir isolado

Luciana Bugni

07/08/2020 04h00

Meu tipo de rolê em 2020 (Unsplash)

Eu não aguento mais sentir. Você aguenta? Eu não aguento mais. Será que tem jeito de antes da vacina vir uma vacina para a gente sentir um pouco menos? Uma anestesiasinha de leve, tem jeito? Estava pensando isso ao ver a live da Tereza Cristina homenageando Caetano Veloso, que aniversaria nesta sexta (7). Tereza não evitava as lágrimas, repleta de sentir. Eu também me emocionava tanto que não sabia o que fazer. A cabeça cheia de canções, Caetano, você sabe como é.

Nesta semana, a conta está alta. Não basta morrer gente — muita gente — todo dia. Ou estarmos beirando o quinto mês dentro de casa, sem uma prainha, sem um barzinho, sem uma festinha. Ainda temos que lidar com a nada discreta pressão familiar para festas de dia dos pais.

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Incrivelmente, no dia das mães, quando a taxa de contágio ainda era baixa comparada a este agosto, menos gente cogitou o rolê. Agora parece uma afronta, um sinal de desamor, você não frequentar os churrascos ou macarronadas em família deste domingo. Não basta o cansaço e a tristeza, é pra gente sentir culpa também. E ainda vem outro pensamento para quem ainda acha que o coronavírus é perigoso e pode matar pessoas: será que estou ficando louca?

Mion fez um vídeo esta semana perguntando se as pessoas receberam o e-mail do fim da pandemia. Ele não recebeu, nem eu. Me senti um pouco menos sozinha. Mas estamos batendo nessa tecla há tanto tempo… acredite ou não, os chatos como eu e o Mion também cansam.

Gregório falou sobre os efeitos da pandemia ficarem dentro da gente por muito tempo. Ele tentou encontrar uns amigos a três metros de distância, etc. e novo normal. Não deu muito certo. Entendo: como eu vou ser feliz ao ver pessoas de máscara se o que eu mais gosto de fazer com as pessoas que eu amo envolve uma boca descoberta? Como seria agrádavel sem comer, beber e falar livremente?

Sou uma privilegiada. Não preciso sair de casa para trabalhar. Não pego trem lotado desde 12 de março e estou protegida pelo intenso mas seguro home office. Agora, sobre eventos sociais: eu evito porque é perigoso sair de casa como antes e eu não gosto de sair de casa como agora.

E, cá entre nós, eu estou ligada que no segundo gole de cerveja no churrascão desse domingo, a máscara pendurada na orelha vai direto para o balcão e só sai de lá, se sair, no fim da festa. Ninguém gosta do novo normal. O novo normal esquenta a cara e incomoda o nariz. Mas salva vidas — assim como manter-se isolado.

Mas enfim, nesta sexta tem live de Caetano, depois de cinco meses de insistência de Paula Lavigne. Se ela conseguiu convencer o marido a fazer um show depois de 5 meses de insistência e um desfile de pijamas, talvez eu consiga alguma coisa também com a minha insistência.

Então, la vai: evita aglomerações, vai. Já estamos mais perto do fim do que do começo. Ano que vem você abraça seu pai, taca carvão nessa churrasqueira, bebe tudo o que você merece. Vai valer a pena esperar.

Você pode discordar de mim no Instagram.

PS: Eu obviamente não estou falando de quem tem que trabalhar. Estou apenas cogitando que as pessoas que não precisam sair, evitem, para proteger quem não tem alternativa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo”, na “Contigo!” e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso para atravessar a era digital com um pouco menos de drama. Sororidade e respeito ao próximo caem bem pra todo mundo.