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Luciana Bugni

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Kim Kardashian diz que vai evitar roupa sexy, a pedido de Kanye. E você?

Universa

07/11/2019 04h00

É, ele não gostou do vestido. (Angela Weiss/ AFP)

À primeira vista, o pedido de Kanye West para a mulher, Kim Kardashian, causa arrepios nas mulheres. Como um pai antigo e enciumado, ele disse que não gostava da roupa que a mulher havia escolhido para o MET Gala 2019 — aquele vestido bege que parece molhado. Supersexy, decotado, com sua cintura sobrenatural marcada e o quadril que dispensa rótulos também.

Nós já sabemos que não é legal um cara dar palpite na roupa da mulher. Kanye está num caminho artístico diferente: ele fez um álbum cujo título é Jesus is King e admite estar em transformação. Kim rebateu de uma maneira honesta quando ele a criticou: "Você me fez ser uma pessoa sexy e confiante. Não é porque você está em uma transformação que eu estou no mesmo lugar que você", disse, e foi ao evento com o vestido que havia escolhido. Que bonita declaração de amor.

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Mais tarde ela admitiu estar pensando na crítica. "Ele é meu marido, e eu obviamente quero honrá-lo. O que ele está sentindo é válido", falou em uma entrevista. "Eu concordo com Kanye, mas sempre serei quem eu sou. Nós estamos conversando sobre onde estão os limites. Eu sou uma mãe de quatro filhos, e completarei 40 anos em 2020. Quando é a hora de parar?", continuou. Estar conversando sobre isso é mais bonito ainda. 

Estamos em 2019, sabemos que os homens não podem decidir a roupa que devemos sair de casa. Isso não diz respeito apenas a um vestido ultrasexy que eu e você nunca vestimos ou cogitaríamos sair de casa usando. Mas as pequenas críticas estão nos detalhes:

-Por que você não usa um salto?

Homem adora fazer essa pergunta. É curioso, porque a maioria deles nunca pisou em um salto antes, não tem ideia de como o scarpin deforma os ossos a longo prazo, não tem obrigação alguma de esmaltar as unhas para ostentar um peep toe chiquérrimo. Mas mesmo assim eles gostam de dizer isso. Eles nos achariam bonitas de salto andando até nas ruas irregulares de Paraty.

– Prefiro esmalte claro.

É também intrigante que eles prefiram esmalte claro visto que raramente os vejo usando esmaltes. E se preferem mesmo tons discretos, deviam usá-los (um vidrinho custa só três reais) e nos deixar livres para usar nossas cores berrantes com nomes engraçados.

-Batom escuro chama a atenção demais.

Esse é um ponto muito importante que mostra a inteligência masculina. Batom vermelho realmente chama muito a atenção e é justamente por isso que a gente usa. Quem não quer chamar atenção pode sair com um clarinho na boca e tudo bem também. Vale para todxs.

-Esqueceu metade da saia?

Não, ninguém esquece uma parte da saia. Sair de saia curta requer um cuidado intenso com os movimentos e a gente só sai daquele jeito porque quer mesmo. Aí entra uma frase que parece mal educada, mas é bem verdadeira e diz alguma coisa como "se as pernas são minhas, sou eu que decido onde eu as exibo". Na verdade é mais curta que isso: meu corpo, minhas regras.

Mas Kim está coberta de razão

Porém, Kim está com quase 40 anos, já usou as roupas que quis pelo tempo que quis e percebeu que a crítica do homem que ela ama a fez pensar. Também não vejo defeitos. Usar roupa curta e decotada requer um esforço enorme. E se ela realmente estiver cansada?

Eu mesma, adepta das saias e shorts de um palmo de comprimento, tenho repensado a vestimenta para ir a um buffet infantil, por exemplo. Não porque vou ser olhada, não porque vou ser julgada, mas porque não quero correr atrás de criança na piscina de bolinhas usando aquilo. Minhas regras, ué.

Isso tudo para dizer que maridos não têm que dar palpite nas roupas que usamos, nem devem se sentir feridos por elas. Mas que se a mulher quiser repensar o que veste, tudo bem também. A gente muda, não precisa carregar eternamente o rótulo que nos demos há 20 anos.

Usar salto cansa, pintar a unha toda semana também. Você ajeita suas regras do jeito que bem entender.

Para os homens, mais fácil ainda: é só respeitar o que ela quiser.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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