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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Isis na piscina, no Réveillon... por que criticam tanto a atriz no Insta?

Universa

02/01/2019 19h31

Isis no ano novo: é mais difícil trabalhar, ser mãe ou ouvir palpite? (Foto: iStock)

Dar palpite na vida dos outros é uma das atividades favoritas de muita gente. A vítima se incomoda — se você já passou por isso há de concordar –, mas o algoz sente prazer. Quando a mulher tem filho, então, a coisa piora um pouco. Todo mundo se sente no direito de falar algo e dizer que sabe mais que a pessoa que pariu — e pode ser que saiba mesmo, mas não é por isso que tem direito de se intrometer sem ser convidado.

Imagine Isis Valverde que, só no Instagram, tem 14 milhões de seguidores ávidos por dar palpites em sua vida. E, agora, um mês após dar à luz Rael, reúne mais esse atributo das vítimas de palpites — ela é mãe. É gente reclamando que seu tapete de ioga é muito colorido. É gente dizendo que a barriga dela está seca demais após dar à luz. É gente querendo  que ela mostre o filho na rede social. É gente reclamando que ela não é uma boa mãe. É gente falando do peito. É gente falando do marido. É gente falando, falando, falando, falando.

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Recentemente, criticaram a atriz por estar na piscina sem o filho. Complicado ter que explicar que Isis usa o Instagram de maneira profissional. E que bebês de um mês não podem estar na piscina! Cada vez que ela marca uma grife da roupa que está usando numa foto, ela não está se exibindo de graça, está trabalhando. E mesmo que não marque nenhuma empresa, ela precisa aparecer. Então, não pode se dar ao luxo de sumir do Instagram, como eu fiz nos primeiros meses do meu filho. Nem de bloquear comentários — o barulho gerado por cada post em interação também se converte em cifras. Chama business, em inglês. Em paulistanês é só trampo mesmo.

É muito parecido com qualquer trabalho, com a ligeira diferença que eu e muitas outras mulheres, graças às leis trabalhistas, tivemos licenças maternidades remuneradas garantidas e não precisamos ficar postando nada nessa época. "Ah, mas Isis não precisa trabalhar". Isso quem decide é ela, que paga as próprias contas. "Ah, mas ela postou uma foto com o marido no reveillon e nada do filho". Que sorte a do filho, né? Isis parece não estar disposta a fazer com que a criança trabalhe com ela na busca por likes. Acho uma decisão nobre, até porque postar um bebê ajuda muito na guerra por audiência na internet. Ela não entrou nessa. E se quisesse entrar, também, ninguém teria nada a ver com isso.

Criticar o fato da Isis não postar fotos de Rael me parece muito com reclamar que uma mulher que acabou de parir não leve o filho ao escritório, fábrica, restaurante ou loja responsável pelo seu ganha-pão. Faz sentido? "Aquela garçonete tem um bebê pequeno e está segurando aquela bandeja no restaurante e não o filho!", reclamaria alguém. Aquela mulher é mãe e me deu o troco na padaria em vez de dar mamadeira para o filho!", diria outro.

A gente precisa aprender a discernir que rede social não é vida real. E que, pasme, postar foto do filho o dia inteiro não torna ninguém uma mãe melhor. Isis não está nem ouvindo essa ladainha. Ela está ocupada sendo mãe e trabalhando. E ainda ficando linda para postar no Instagram (Deus que me livre de ter uma obrigação como essa!).

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).