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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Você virou escravo do Whatsapp? A solução é parar de ler as mensagens

Universa

01/08/2018 05h00

Desencana do numerozinho, bem! (Foto: iStock)

Você lê tudo que te mandam no Whatsapp? Se sim, como você consegue? Todos os dias, sou atropelada por uma infinidade de mensagens. As conversas de grupos são as mais trabalhosas: não é raro que tenha mais de uma centena quando consigo abrir. Fora as questões de trabalho que resolvo por lá: nesse momento em que escrevo, estou em sete papos diferentes sobre assuntos distintos. É como se meu cérebro estivesse com mil abas abertas, uma em cada planeta. Tem ainda minha família – eu falo mais com eles pelo aplicativo do que  ao vivo. Enfim, o negócio estava me deixando louca, diminuindo minha produtividade e acabando com meu sossego.

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Um dia uma amiga disse: "Desencanei de ler tudo. Nesse momento, tenho 42 mensagens não lidas". Eu fiquei chocada. Respondi um "afe", mas ela não disse mais nada. 43 mensagens, eu pensei. Tinha acabado de ficar no filtro dela do que vale a pena ler. Aquilo ficou na minha cabeça. Até que em um domingo, abri mão ler o grupo de uns amigos discutindo futebol (já estava silenciado, mas o numerozinho que acusa novos recados me incomodava, então eu sempre abria). Foi libertador. Hoje, não abro mais o que não é muito importante. Geralmente é a despedida: eu mando beijo, a pessoa manda beijo e essa mensagem não precisa ser aberta. Já ganho um tempo aí. Mas como sou eu que escolho o que é importante, posso demorar semanas para ver uma mensagem. E não me importo mais. Pode ser mal educado, sim. Mas uma pessoa deve escolher suas batalhas, né?

Desde que desapeguei de abrir todas as novas, o número de alerta só cresce: hoje oscilou entre 86 e 90. Parece agoniante, mas estou ótima. Sou jornalista, trabalho com comunicação, respondo e-mails e mensagens nas mais diferentes plataformas desde que inventaram a internet. O Whatsapp, na verdade, nem existia uns seis anos atrás e nunca fez falta. Então tudo bem eu não abrir o grupo para ver a foto do sorvete que alguém comeu. Ou o cronograma de novos horários da ioga. Ou as fotos do filho do meu primo. Ou o áudio que meu irmão mandou sobre não sei o quê da eleição. Ou… eu não preciso ver nada disso no horário de trabalho! E, se não quiser, nem quando chegar em casa.

Talvez pareça arrogante, mas é importante lembrar que você criou um whatsapp alguns anos atrás para sua própria comodidade. Não para virar um escravo de todo mundo que te cerca e ser obrigado a responder assim que recebe as mensagens. Aos meus amigos, se eu não respondi algo importante, faça como nos anos 90: telefone. Se não vale a ligação, pode ser que nem seja tão importante assim.

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).