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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Demi Lovato passa bem, mas o que os amigos podiam ter feito para salvá-la?

Universa

28/07/2018 04h00

Com o amigo Nick Jonas: será que é possível fazer algo por alguém querido que é viciado? (Foto: iStock)

A cantora Demi Lovato nunca escondeu sua luta para se livrar do vício nas drogas. Em março desse ano, celebrou seis anos sóbria em suas redes sociais, mas pouco tempo depois, os sites de celebridades noticiavam que ela tinha voltado ao vício.

Não por acaso, a sua música lançada em junho se chamada "Sober" (Sóbria, em inglês) e é uma confissão de culpa. "Eu não sei, eu não sei, eu não sei por que faço isso toda, toda, toda vez, mas é só quando estou sozinha", ela diz na melodia triste. Se isso não é um pedido desesperado de socorro, eu não sei o que é.

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Muita gente vai falar que foi Demi que escolheu esse caminho. Que a culpa é única e exclusivamente dela. Foi isso que me disseram quando eu escrevi sobre a coragem de Casagrande em confessar sua fraqueza ao vivo em rede nacional na final da Copa do Mundo. Pois é. Demi sabe que a culpa é dela. A cantora pede desculpas na música para seu pai, sua mãe, seu futuro amor e seus fãs. E mais: ela termina a letra pedindo desculpas para a maior atingida por suas recaídas: ela mesma.

Na noite de sua overdose, na última terça (24), uma amiga ligou para o resgate, pediu que viessem socorrê-la, disse que seria bom que não houvessem sirenes ligadas – foi a ligação que salvou sua vida. Depois disso, choveu mensagem de gente muito famosa nas redes sociais dando apoio e dizendo a Demi o quanto ela é querida. Que bom. Mas então porque ela fez um música falando sobre a solidão que a leva de volta para o vício? Essa galera das redes sociais fica do lado dela quando a coisa fica pesada de verdade? A atriz Bella Thorne postou uma foto da amiga dizendo que ela sempre foi forte, mas os fãs ficaram furiosos: na imagem, Demi parecia drogada. "Você é uma amizade tóxica para ela, a levou numa festa antes da overdose", acusou um fã. Se é verdade, não sabemos. Mas o fato é: postar foto de alguém querido que está com problemas nas redes sociais não é exatamente o que ajuda a pessoa em questão, né?

Não dá para julgar ninguém, o caso da luta contra as drogas é complicadíssimo. Há familiares que ficam muito próximos da pessoa que é dependente química e nem assim podem ajudá-la. estamos falando de uma doença que não pode ser tratada de maneira leviana.  Mas a solidão tem remédio: e a solução é menos rede social e mais olho no olho e abraço de verdade.

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).