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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Perdoar traição, como a noiva do ex-BBB Lucas, é uma boa?

Luciana Bugni

31/05/2018 15h30

Lucas e Ana Lúcia: difícil é superar a corneta da galera (Reprodução: Instagram)

Todo mundo já se perguntou isso. Talvez já tenho sido tema de uma moderninha conversa de casal.  Ou, quando falta assunto na mesa do bar, o tópico já foi levantado para alguém cortar: você perdoaria uma traição?

A resposta imediata é um suspiro: ninguém gosta muito de pensar na possibilidade de um chifre. Mas se já não aconteceu com você, saiba: todo mundo corre esse risco. Quer dizer, os solteiros, não. O pessoal do relacionamento aberto também se livra dessa. O resto dos casais está nessa chuva aí e pode se molhar.

No começo desse ano, a internet assistiu ao Lucas, do BBB, trair sua namorada Ana Lúcia, com Jessica, uma colega de confinamento. Quando ele saiu da casa, há três meses, tomou um previsível pé na bunda. Mas agora, depois de um tempo distantes, Ana Lúcia pensou melhor e decidiu perdoar. 

Tudo bem, problema (ou solução) deles. Acontece que, como tudo aconteceu em frente das câmeras, o pessoal das redes sociais fica doido atrás, para dar opinião. Metade está feliz pelo rapaz, metade pistola com a moça. E tem muita gente que diz que isso tudo é só marketing, afinal, a relação com um confinado fez a moça conseguir milhões de seguidores e fazer publicidade na rede social…

Essa é a hora que meu leitor diz que ninguém tem nada a ver com isso. Então: gente dando pitaco em traição alheia não é privilégio de ex-BBB, não. Todo mundo é sommelier da relação dos outros enquanto varre as sujeiras da própria para debaixo do tapete.

Uma amiga, quando soube da pulada de cerca do namorado em uma viagem, decidiu perdoar na hora. É comum cair na tentação de voltar com o ex, sabe como é (lembra do vai e vem do Neymar e Marquezine?). Mas as amigas falaram tanto que ela ficou pior ainda. "Ah, mas quem fez uma vez faz de novo." Provavelmente – dizem que traição vicia mais que pipoca. Mas já pensou na hipótese da minha amiga não cogitar isso porque, apesar da mancada, voltou a confiar no cara? De doer mais ficar longe dele do que o ciúme de pensar que ele deu uma escapada (e corajosamente confessou). O mesmo vale para mulheres que já trairam (embora o machismo torne um pouco mais difícil que eles relevem). Se rola perdoar, quem tem que julgar?

Lógico que a exposição pública de um chifre em rede nacional é dolorida. Mas depois de três meses de reflexão, Ana Lúcia achou que era melhor dar um voto de confiança para o ex. Imagina como foi difícil, como ela foi forte. Agora ter que ficar aguentando a internet falar a respeito é um pouco demais.

Eu sei, a gente que está de fora vê a tempestade se formando e quer alertar quem a gente ama. Mas podemos acreditar no crivo deles (e no de Ana Lúcia) e respeitar suas decisões. Lógico que não é legal ver pessoas queridas sofrendo nas mãos de canalhas. Mas será que toda pessoa que trai é necessariamente um canalha? Ninguém merece um segundo voto de confiança? Sei não. Cada um sabe o que aguenta carregar e se a gente mandar boas vibrações já está de bom tamanho.

Agora, se a história começar se repetir e a dor for maior que o desejo de relevar, é outra coisa. E a gente conversa sobre isso outro dia.

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).