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E os namoradinhos? Como está o pavor dos solteiros nas festas de fim de ano

Universa

19/12/2019 04h00

Namorado de Natal, a série norueguesa da Netflix: precisa mesmo estar acompanhada?

A pergunta causa arrepios nas almas solteiras, que sabem que terão que explicar sua condição civil para tios, madrinhas, avós e até primos. O problema aumenta conforme envelhecemos e seguimos sem ser um casal. Esse é o tema da (ótima) série norueguesa Namorado de Natal.

Johanne está cansada de passar pela humilhação de sentar entre os sobrinhos, um par de gêmeos de menos de um ano. Em sua casa, nas festividades de Natal, quem não tem um par ainda não é tratado como adulto. Ela tem 30 anos, e decide tomar uma atitude radical: inventa que tem um namorado. A partir daí, tem 24 dias para se virar e arrumar um. Quem nunca pensou em fazer algo parecido que atire a primeira pinha. 

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Há uma pressão gigante sobre o mês de dezembro em geral. No trabalho, precisamos concretizar metas para entrar no novo ano livres. Em casa, é importante arrumar tudo para receber as pessoas que vão chegar. E no coração, bem, é preciso ter um par para mostrar para a família que você não é uma largada, uma desprezada ou uma mal amada — talvez tudo isso junto.

Sabemos que essas críticas não fazem sentido, afinal, o feminismo já deu suas lições. Mas como explicar com didatismo para mães e demais parentes que cobram um par apaixonado: ei, gente, é ok ser solteira. E como não se abalar com as críticas e achar que realmente precisa ter o namorado de Natal que Johanne sai como uma doida para buscar nos aplicativos?

Uma amiga disse que no fim do ano os contatinhos entram em modo de espera. E que tudo bem: ela está ocupada demais cuidando da vida para se preocupar com isso. Outra amiga falou que coloca o assunto "boy" em suspenso, na lista do "resolvo isso no ano que vem". Ela está feliz pensando no Natal com a família, no ano novo com os amigos, em conversar com a cachorra que acabou de adotar: "Tenho amor demais para dar. Ninguém ia aguentar. Ela (a cachorra) aguenta. Me acompanha em casa o dia todo e eu olho para ela e não acredito em como pode ser tão fofa". Amor é amor, ué.

A série noruguesa se passa em um vilarejo de 5 mil habitantes coberto pela neve onde todo mundo se conhece. Nas lojas, os pijamas natalinos são vendidos apenas para casal. Embora estar com alguém pareça uma lei, os personagens todos parecem solitários aprendendo a lidar consigo mesmos. Minha velha máxima de adolescência: somos sozinhos que andam juntos. No fundo, não importa quem usa um pijama estampado com renas igual ao nosso. A solidão é intrínseca e o grande lance dessa existência é saber lidar com a nossa própria companhia.

Como vamos mostrar isso para quem nos cerca é o grande lance da vida. Johanne dá preciosas lições sobre o assunto nos seis episódios da série. Sem mais sopilers, eu sugiro que você veja. Vai ser, na pior das hipóteses, uma companhia deliciosa para algumas das horas melancólicas desse finzinho de ano.

 

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

Luciana Bugni