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Luciana Bugni

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"Olha, sinceramente...": 5 erros de Britto Jr que couberam em um tweet

Universa

24/07/2019 15h08

(Reprodução/ Instagram)

Não sei muito bem baseado em quê, mas Britto Jr deu uma derrapada em vários conceitos de empatia quando resolveu teorizar em seu twitter sobre o que Luana Piovani anda precisando. Não, a atriz não havia pedido a opinião de Britto. Nem parece, na verdade, estar precisando de nada. Está curtindo as férias em Ibiza com amigas, seus posts sugerem que anda tendo um caso com o patinador Marcel Sturmer e, pelos sorrisos, devem estar se divertindo bastante.

Não sei se Britto teve acesso às fotos no Mediterrâneo, mas uma preocupação extrema com Luana fez com que ele postasse soluções em sua rede social. Foi imediatamente rotulado de preconceituoso e rebateu dizendo que o preconceito estava na cabeça de quem lia. Putz, Britto, pode ser, não temos como saber quem está lendo o que escrevemos na internet. Mas podemos analisar o que, nesse post, fez com que as pessoas pensassem isso. De maneira bem didática, para todo mundo entender e ninguém sair falando bobagem na internet e passar vergonha depois, ok?

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Erro 1: "Precisar de homem"

No texto, ele dizia que a bela Luana Piovani devia perdoá-lo, mas… (não tem como terminar bem um conselho que começa assim) estava precisando de um homem.  É muito importante repetir que mulher não precisa de homem. Eu sei, a gente aprendeu que elas saíram da costela de Adão, portanto não passam de uma parte desse ser supremo que é o homem. Mas essa teoria não é exatamente científica.

Por muito tempo, culturalmente, a mulher dependeu do homem para tudo. Servia como uma reprodutora que arrumava a casa e deixava as coisas perfeitas. Os tempos mudaram, já passa da segunda década do terceiro milênio. Não é mais possível repetir uma coisa machista dessa por aí. Mulheres gostam de homens? Muitas gostam. Outras preferem mulheres. Eu, por exemplo, gosto de homem. Inclusive vivo com um. Eu preciso dele? Não. Nem nenhuma outra. Nem, veja só, Luana Piovani. Ela é bonita, bem-sucedida, tem dinheiro — e mesmo se não fosse. Ela não precisa de homem. E não precisa de um homem dizendo o que ela precisa, com o perdão da redundância.

Erro 2: "Homem de verdade"

Eu sei, a gente disse isso muitas vezes. Eu mesma já devo ter repetido por aí que o Brad Pitt era homem de verdade. Esse conceito é um pouco ultrapassado. Existem homens. Homens hétero, homens gays, homens trans. E homens honestos, legais, bacanas, interessantes, atraentes.

Lógico que é legal sair com pessoas "de verdade". As pessoas falsas ou mentirosas não estão entre as melhores opções. Mas dizer que um homem é de verdade com a conotação de um gay não é homem é meio preconceituoso, sim. Desculpa, Britto. Tenho amigo homem gay que tem atitudes de muito valor. Valor de verdade. E o próprio Brad Pitt, hétero gato, dizem, não dava muita bola para os filhos. Atitude nada verdadeira que acabou ocasionando o divórcio com Angelina Jolie. Vai saber.

Erro 3: "Virar maricas"

Eita, rapaz. Maricas é um termo que não é bem-vindo, não. Pode perguntar a qualquer homem gay: chamar de maricas é preconceituoso. "Ah, mas meu amigo não liga". Tudo bem, é a sua relação com seu amigo. Os outros ligam e pronto, a gente não deve dizer. Mas tem algo pior aí — ninguém vira homossexual. As pessoas nascem com essa ou aquela orientação sexual. Dizer que estão "virando maricas" faz parecer que é uma escolha e isso não faz o menor sentido. Além disso, é violento.

Erro 4: "O preconceito está em quem lê"

Geralmente não. É difícil mesmo entender quando não estamos na pele dos outros. Aparentemente, Britto têm dificuldade de ter empatia. Eu mesma, mulher hétero, tenho muitas dúvidas sobre o que é ser homossexual e de como as pessoas com outra orientação sexual se sentem. Para isso, eu consulto quem manja do assunto, quem vive o preconceito e a violência todos os dias.

Mas entendo, por exemplo, o que é ser mulher e passar a vida escutando "precisar de homem". Acredita que a primeira vez que ouvi isso foi aos 13 anos, de uma colega da escola? A gente é ensinada desde cedo que precisa de namorado, marido etc. E isso está intimamente relacionado ao fato de tantas mulheres aguentarem violências domésticas e seguirem com o agressor — elas não sabem que não precisam dele. Por isso é tão importante parar de repetir uma frase dessa por aí. A consequência de um comentário "inofensivo" como esse pode ser drástica.

Erro 5: Não parar para pensar – o erro mais grave do preconceituoso

Quando a internet começou a criticar Britto, ele não parou para pensar. Saiu culpando as pessoas pelo próprio preconceito para se defender. Se alguém diz que você está errado, pare e pense. Converse com quem pensa diferente. Tente entender como se sente alguém diferente de você. Tudo bem que isso é um pouco difícil para pessoas mais velhas que tiveram uma criação muito diferente da de hoje. Mas, pensando bem, eu também sou mais velha. E para querer mudar algo que não cabe mais, basta querer. Questão de educação, de empatia… e de inteligência também. Né?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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