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Efeito Copa: só o bolão da firma é capaz de unir o Brasil

Luciana Bugni

19/06/2018 04h00

Neymar, quanto você colocou em Irã e Espanha no bolão? (Joe Klamar/ AFP)

 

"Quanto você acha que vai ser Colômbia e Japão?" "3 a 0 Colômbia", responde o marmanjo seguro. A jovem moça fica preocupada: "ih, coloquei 1 a 1…", responde chateada. Ele tira um barato e diz que o James Rodriguez vai arregaçar. O juiz apita. 90 minutos depois, a moça satisfeita faz as contas no site do bolão. Chegou mais perto do resultado, 2 a 1, que ele. O rapaz inconformado lança um: "Mas essa Copa está imprevisível…". E eles seguem a conversa sobre quem vai fazer o café em outra copa, a da cozinha da empresa. Horas depois, lamentam o voto errado na vitória do Senegal: "Devíamos ter votado por afinidade, eu gosto muito mais dos africanos do que da Polônia!" Mas como iriam imaginar?

Desde que começou a Copa do Mundo da Rússia, aconteceu um fenômeno ainda mais forte: o bolão da Copa na firma. A brincadeira ganhou ainda mais popularidade esse ano. O fuso horário russo, amigo de nosso horário comercial, ajudou: gente que nem se falava agora está parado em frente aos televisores para acompanhar trechos dos três jogos do dia. Entre uma ida até a impressora e uma volta do banheiro, a curiosidade real do "quanto você colocou no bolão?" ajuda a fazer amizades. A tecnologia também foi parceira e tornou as apostas ainda mais acessíveis a todos. E o melhor: não tem favorito no bolão da firma. Nessa seara, não há topete loiro com laquê que faça alguém chamar mais atenção que o outro. As arbitrariedades da arbitragem podem até ser bem-vindas. Se o cara não toca a bola, cai demais, quer aparecer, se até os gringos estão comentando… ninguém está nem aí. O importante é pontuar.

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Sorte? Noções futebolísticas? Os dois ajudam um pouco. "Nos três bolões dos quais estou participando, as mulheres estão na liderança", se surpreende um colega. "É porque temos a intuição ao nosso lado", ri uma garota. Faz sentido? Não tenho a menor ideia. No bolão da firma, até esse tipo de palpite é aceito. Ninguém precisa saber o que é impedimento. E saber não ajuda muito. Esquema tático? Bobagem. Cada um diz o que quer e todo mundo respeita. Depois, na checagem diária da classificação, um vibra pelo outro. O ambiente na firma ficou tão democrático que duas pessoas que deram palpites diferentes são capazes de conversar, sem se xingar. Ouvi até um "você tinha razão", no final dos acréscimos. No bolão, a gente pode mudar de ideia sem tomar porrada nas redes sociais! Existe um país bolão? Eu quero morar lá!

Quem diria que a população que saiu junto às ruas para pedir para o ônibus não subir 20 centavos em 2013 fosse se unir de novo um dia. Um 7 a 1 por dia, uma confusão danada. Quem acha que está certo não admite que digam outra coisa. Quem reclama está fazendo mimimi. Todo mundo bloqueou todo mundo no Facebook. Ninguém cogita conversar com quem não pensa igual. Pra um a culpa é do outro, para o outro a culpa é do um. Quem imaginaria que seria justamente o bolão da firma que ia unir a galera?

Que se dane o cabelo do Neymar, a perna direita do Coutinho e até o hexa. O que importa mesmo é quantos pontos você vai fazer no bolão da firma.

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Sobre a autora

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo”, na “Contigo!” e em "Universa", aqui no Uol. Mora também no Instagram: @lubugni

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso para atravessar a era digital com um pouco menos de drama. Sororidade e respeito ao próximo caem bem pra todo mundo.


Luciana Bugni