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Luciana Bugni

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O que aprendemos com Luciano Huck e o acidente que seu filho sofreu

Universa

27/06/2019 04h00

Imagine que, durante um feriado feliz, seu filho sofre um acidente grave enquanto anda de skate, de bicicleta, ou joga bola. É uma daquelas cenas que a gente evita imaginar, que dá desespero só de pensar etc.

Foi o que devem ter sentido Angélica e Luciano Huck quando viram a gravidade da situação de Benício, filho do meio do casal. Ele caiu enquanto praticava wakeboard, um esporte comum no litoral, geralmente praticado por pessoas endinheiradas. Uma prancha é fixada nos pés da pessoa e puxada por um barco. Radical, né? A criançada não acha muito — ou acha, e quanto mais radical, melhor.

A questão no acidente de Benício é que o garoto bateu a cabeça na prancha quando caiu e sofreu um afundamento do crânio. Passado o susto enorme — ele estava na baía de Ilha Grande, onde eles têm casa –, Luciano fez um post em seu Instagram agradecendo as orações e torcida e dizendo que estava tudo bem. E o mais difícil, tocando no ponto central da questão: seu filho estava sem capacete.

É difícil controlar a criançada quando o assunto é ser radical. Especialmente na pré-adolescência e na adolescência, quando correr perigo é divertido. A gente fica o tempo todo se controlando para não ser o adulto chato que acaba com a graça da brincadeira. Mas tem coisa que é essencial, como cinto de segurança e capacete em esportes radicais.

Luciano falou disso de uma maneira muito aberta, admitindo que o susto foi porque os pais não cobraram que ele usasse o acessório. E fez isso para seus 16 milhões de seguidores. "Aprendam o que nós aprendemos", ele diz.

Que legal que é ter a coragem de usar uma ferida aberta (um filho machucado é uma dor profunda) para dizer em voz alta o próprio erro, na iniciativa de alertar mais gente. É tão difícil dizer que falhou, ainda mais quando se trata de algo que podia ter custado a vida do filho. Mas falar sobre isso pode ajudar muita gente.

Sem medo de ser chato, é importante continuar falando, como disse Huck: segurança em primeiro lugar. E dar exemplo conta muito nesses casos. Por isso, pais, usem cinto de segurança e capacete, e obriguem todo mundo a usar. Esses conceitos ficam para sempre conosco.

Homem que reconhece o erro

Uns meses atrás, a minha amiga Nina Lemos fez um texto sobre Luciano Huck, que havia feito um comentário bem machista a respeito de uma mulher. Ela ficou surpresa quando, alguns dias depois, o próprio Luciano escreveu um e-mail a agradecendo pelo texto e dizendo que ela havia contribuído para sua reflexão.

Nina também ficou feliz: se tem uma coisa que deixa feminista contente, acredite se quiser, é quando o diálogo de homens e mulheres é engrandecedor para os dois gêneros.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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