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Luciana Bugni

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Como Luísa Sonza: por que a mulher tem que ter filho para animar o homem?

Universa

22/05/2019 12h14

Quando vem o neném? (Foto: Reprodução/ Instagram)

Comigo começou quando eu fiz uns 23 anos, estava em relacionamento estável há uns quatro, comprando apartamento. "E aí? Quando vem o neném?"

A mulher jovem, que nem cogita ter filhos, ouve com estranheza o interesse repentino de um completo desconhecido na sua procriação. Mas acontece.  Pode vir em uma conversa séria com os sogros depois do almoço de domingo, com um pano de prato nas mãos. Pode acontecer num presente de natal meio descabido "pra quando vier o bebê". Mas acontece. A mulher é cobrada de ter filhos muito antes de pensar no assunto.

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Aconteceu com Luísa Sonza via internet, como acontece a maioria das abordagens a uma influencer. Seu marido, Whindersson, está com depressão. Declarou recentemente que daria um tempo na carreira para cuidar de si. Luiza tirou também um licença para ficar com ele por um tempo. E o seguidor sugeriu que ela engravidasse para animá-lo.

Mas que ideia maravilhosa!

Um casal que lida com a dificuldade de uma doença silenciosa como a depressão. Um homem que tem que parar de trabalhar para dar mais atenção ao seu problema. Uma mulher que tenta apoiá-lo nos intervalos entre os compromissos — o mundo dos famosos é ingrato com quem desaparece, ela precisa estar presente. Alguém consegue imaginar ter um filho num contexto desses?

Ah, tem gente que consegue. Provavelmente quem nunca teve filho, ou se teve, nunca cuidou de um. Quem não sabe que duas pessoas precisam estar muito inteiras para educar uma terceira. Que uma criança somada à equação de uma família já com problemas tem grandes chances de resultar em desastre.

Luísa respondeu os comentários, irritada. Se eu também ficava brava no fim dos almoços de domingo com esse papo, imagina ela. Cogitar que a mulher é uma máquina reprodutora, que pode gerar um filho só por que tem útero e assim animar o homem… Não seria mais fácil programar uma viagem a dois? Comprar um jogo de tabuleiro? Adotar um gato, vai, que dá um pouco menos de trabalho? Ou o certo: ajudá-lo no tratamento.

E se fosse o contrário e Luísa estivesse doente? Whindersson teria que engravidá-la para ela melhorar? Vou além: ele teria alguma obrigação de ajudá-la, de acompanhá-la? Talvez fosse válido o argumento de que ele é um homem famoso, cheio de compromissos e não pode deixar a carreira no auge porque a mulher está em dificuldades.

Ouvi a cobrança de ter filhos até meu divórcio, alguns anos depois. E escutei também que se eu tivesse tido filho antes, talvez meu casamento não tivesse acabado.

Mas que ideia maravilhosa de novo! Eu estaria ainda casada em um relacionamento com problemas, mas teria filhos.

Desobecendo a suposta regra, me separei, casei de novo e, veja só, tive um filho. Bem na hora que eu quis.

E se não quisesse também, esteria plena e linda.

A gente não é obrigada a nada.

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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