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Luciana Bugni

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Eduardo Costa vai dar um tempo de polêmicas na internet. E você?

Universa

13/12/2018 04h00

Um tempo para pensar faz bem para todo mundo (Foto: Reprodução Instagram)

Eduardo Costa disse que vai dar um tempo nas postagens polêmicas do Instagram. Segundo ele, poderemos continuar acompanhando as bobagens que ele diz (palavras dele) no Insta de sua mulher, Victória Villarim. Mas ele vai dar uma segurada nas opiniões (ou diz que vai). A decisão parece acertada: se tem uma coisa que Eduardo faz mais que hit sertanejo é polêmica. E tem uma hora em que a polêmica vira contra o "polemiqueiro". Esse geralmente é o momento de se calar. Pensar e voltar depois, quem sabe mais sábio.

Em tempos de rede social, é difícil manter-se calado. As coisas acontecem rapidamente e parece que todo mundo tem a obrigação de se posicionar sobre o assunto da vez. Entrar na polêmica do dia rende um lugar mais privilegiado nos algoritmos, gera likes e ainda dá aquela sensação de que a gente sabe das coisas. Você diz o que pensa, as pessoas rebatem, você se defende e mais gente rebate num ciclo eterno que rouba o tempo de todo mundo. E, principalmente, ocupados que estamos em ler opinião dos outros e dar as nossas, não nos sobra um minuto para fazer algo muito básico: pensar antes de dizer.

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Eduardo Costa gosta de dar opinião na internet. Na semana passada, foi a história da cadela Machinha, que sofreu maus tratos numa loja do Carrefour de Osasco. Ele disse: "Não há como negar que há algo de errado numa sociedade que se indigna mais com um crime contra o animal do que com o cometido contra um ser humano", e a internet caiu em cima. Afinal, a questão não é a morte de um humano ou de um animal e sim o assassinato cruel (por mãos humanas) de um ser vivo. Luiza Sahd fala disso melhor que eu aqui. Eduardo tentou se explicar, usou uma foto de seu cachorro para isso, mas o mal-estar continuou. A cadelinha simboliza a compaixão e criticar a comoção soou como não se colocar no lugar do outro.

Mas parece que a empatia não tem sido mesmo a especialidade do sertanejo. Semanas antes, ele disse que Fernanda Lima era "imbecil", por discordar do que ela falou sobre conservadorismo em um dos programas. Pegou mal também. Ele até justificou "Eu sou um cara visceral, falo o que eu penso e, muitas vezes, pago um preço alto por isso", disse. Depois a ficha caiu e ele percbeu que falar o que pensa não pode ser chamar os outros de imbecil. Isso é ofender. E pediu desculpas pela explosão em um vídeo no programa Conversa com Bial: "A mesma coragem que eu tenho para falar e expor as minhas opiniões em relação a qualquer tipo de assunto, eu quero ter essa coragem de vir aqui no seu programa e pedir desculpas pra Fernanda Lima (sic). Pra família da Fernanda Lima, para o marido dela, para os filhos", ele disse.

Um amigo gringo disse que ficava impressionado em como o brasileiro pede desculpas. Que isso não acontece tanto no país dele, a Espanha. E não é porque o pessoal é mal-educado lá, não. Na verdade, é porque as pessoas teoricamente pensam antes de falar. Elas sabem que ofender alguém é errado e por isso não o fazem. Assim, não precisam pedir desculpas. Interessante.

Particularmente acho muito louvável que Eduardo tenha pedido desculpas. É importante olhar para as próprias atitudes e repensá-las. Especialmente nas palavras proferidas na internet, no calor do momento, sem refletir. Esse é o primeiro acerto de Eduardo. Admitir o erro e se desculpar. Fernanda Lima não o desculpou, entretanto, e está processando o cantor. Direito dela. É chato que tenhamos que pagar pelos nossos erros, ainda mais quando estamos arrependidos. Mas é o jeito de aprendermos a não errar mais. É um risco que todo mundo que ofende alguém corre: não ser perdoado. "Quando uma mulher rompe o silêncio e denuncia uma agressão, a primeira reação desse sistema de opressão é questionar a vítima e nunca o agressor. Por isso, precisamos segurar a mão uma das outras e nos apoiar. Juntas, vamos denunciar, exigir justiça e assim sabotar as engrenagens do sistema de opressão machista e misógino", ensina Fernanda Lima. Ela também está certa.

O segundo acerto de Eduardo Costa é dizer que vai dar um tempo de dar opinião nas redes sociais. Que todos nós possamos parar um pouco de falar e comecemos a pensar antes de sair por aí dizendo aquilo que acreditamos. Falar é prata, calar é ouro. E já tem tanta opinião por aí, né?

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).