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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Douglas Sampaio e Jennifer Oliveira: afinal, o que ela fez de errado?

Universa

08/11/2018 04h00

Essa foi uma semana em que o ator Douglas Sampaio respirou aliviado, depois de seguidas confusões — ele foi considerado inocente pela polícia da acusação de agressão a ex-namorada, Jeniffer Oliveira, a Flora de "Malhação: Vidas Brasileiras". A denúncia foi feita pela garota à polícia em junho, seguida de um desabafo nas redes sociais com fotos dos possíveis hematomas. As imagens das câmeras de segurança que a casa noturna onde eles estavam divulgou, entretanto, não mostram a situação descrita por ela. Ela alega que o episódio foi em outro momento.

Esse não é, ainda, o último capítulo para Douglas. Se Jennifer estava falando a verdade ou não, quem vai dizer é o Ministério Público, que deve avaliar e dar o veredito. Os advogados dela têm esperança de que a decisão do delegado seja revertida."É o MP que  analisa se de fato as afirmações e a opinião do delegado correspondem ao que consta na investigação policial ou se há indícios da prática de crime. A decisão final é de um promotor de justiça", diz o advogado dela, João Bernardo Kappen. Ela apenas declarou estar assustada com a decisão.

O relacionamento durou menos de um mês, mas foi tempo para bastante confusão (Foto: iStock)

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Mas, seja Douglas inocente ou culpado, quais são os erros de Jennifer nessa história? Primeiro, se ficar comprovado que a garota mentiu sobre ter apanhado, ela fez algo muito errado. Como o próprio rapaz disse em entrevistas, ser acusado de violência injustamente o prejudica no trabalho e na vida.

Porém, essa não é a primeira vez que isso acontece com Douglas. Em 2016, o ator também foi acusado pela ex-noiva, Rayanne Morais, de agressão. O casal foi parar na polícia após uma briga que ele alega que nunca existiu. Por que ela inventou isso? Ele afirma que não tem a menor ideia. Coincidência, né?

Talvez o erro de Jennifer, caso fique comprovado que ela não mentiu em seu post, tenha sido se envolver tão rápido com alguém cujo histórico não era lá muito confiável. Claro que as pessoas podem mudar e mesmo que ele realmente nunca tenha agredido nenhuma das namoradas, quem o viu na Fazenda, em 2015, pode identificar facilmente que ele gosta de uma confusão. Mas quem vai duvidar de alguém quando está apaixonada? Deveríamos.

E o que ela descreve em seu post é o ciclo de um relacionamento abusivo: "Começamos a discutir, a ter problemas com mentiras e eu comecei a descobrir quem realmente era a pessoa que estava ao meu lado. Não, eu não sabia de todas as fofocas que envolviam essa pessoa e, sim, eu acreditei na versão dele. Por quê? Porque eu estava apaixonada e a pessoa de que todos falavam estava na minha frente, se revelando aos poucos a cada segundo. Fui me decepcionando e mentindo para mim mesma. Por que continuei? Porque ele tinha a maneira certa de me fazer mudar de ideia, de me convencer. Ele era fofo logo após me xingar. Ele sabia como me manipular e eu queria acolher aquela pessoa, já que achava que era acolhida", ela conta. A reflexão dela é importante. Embora a culpa não seja da vítima, é bom ficar alerta a esse tipo de comportamento em qualquer relação, para ter coragem de sair fora. E de falar sobre isso, já que várias mulheres têm vergonha de contarpara os outros o que passam em casa, e acaba minimizando um problema que pode evoluir para violências variadas.

A importância de tocar no assunto

A declaração de Jennifer causou alvoroço na época e várias atrizes ficaram do lado da atriz antes mesmo que a justiça provasse que ela estivesse falando a verdade. Douglas diz que espera que elas lhe peçam desculpas. A solidariedade à garota pode ser explicada: o histórico de mulheres agredidas é imenso e tem havido um movimento forte de mulheres se apoiarem em relação a questões como essas. A intenção é boa e quanto mais mulheres denunciarem, outras que provavelmente ficariam quietas tomarão coragem para falar sobre o assunto. Mas, lógico, para haver denúncia, tem que haver agressão.

No texto, Jennifer dizia que também queria ajudar as mulheres que passam por isso e têm medo de largar o agressor, "que sentem medo de ameaças, que acreditam em um amor que não existe! Quem ama cuida, quem ama não agride e manipula. Ninguém merece isso. Não pensem que é uma bobeira. Aceitem a ajuda de pessoas que querem o seu bem, quem vê de fora vê melhor", ela escreveu emocionada.

Lembrando que há vários tipos de violência: a verbal pode não deixar marcas no corpo, mas nem por isso é menos agressiva.  "O agressor muitas vezes consegue nos convencer. Passamos por malucas e eu me questionei diversas vezes se isso era verdade: 'Não, não pode ser. Foi um momento de loucura. Machucou sem querer. Eu errei também'. E por aí vai. Se tudo isso passou pela minha cabeça, imagino que deve passar também pela cabeça das pessoas. Não vamos permitir. Não estamos sozinhas! E, mais uma vez, quem ama cuida, quem ama não agride", ela disse.

Quem tem que julgar se Jennifer estava falando a verdade ou não é o Ministério Público, mas o que podemos tirar dessa situação toda é o alerta de que, por mais apaixonada que a mulher estiver, os sinais de relacionamento abusivo devem ser ouvidos. E mesmo que a agressão de Douglas não seja confirmada, seu caso seria exceção: 600 mulheres apanham de seus parceiros todos os dias no Brasil.

 

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).