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Luciana Bugni

Luciana Bugni

O namorado de Fátima Bernardes usa roupa amassada. O "problema" é de quem?

Luciana Bugni

05/06/2018 05h00

A educadora Fernanda Pessoa com Túlio Gadêlha e a camisa amassada: Problema de quem? (Reprodução: Instagram)

Tenho dois problemas, e talvez você se identifique com algum deles. 1. Eu gosto de roupa passada. 2. Eu não gosto de passar roupa. Como resolver essa equação é um mistério para mim. Você tem a solução? Acho que passar roupa entra naquelas questões de evolução da espécie: é tipo um dente do siso que nem nasce mais, porque a gente não precisa. Mas eu gosto de roupa passada, então como faz?

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Tinha um colega de trabalho que, moderno, se recusava a passar as camisas e a pentear o cabelo. Quando alguém se atrevia a cornetar, ele apenas dizia que não tinha tempo para fazer essas coisas. Sabia que seria alvo de críticas, mas mesmo assim não abriria mão de fazer qualquer outra coisa para passar a roupa que estava usando. Desleixo, dizem alguns. Estilo, outros garantem.  Esse colega era provavelmente da idade de Túlio Gadêlha, namorado de Fátima Bernardes, que ilustra esse post. Na foto, Túlio está com a camisa bem amassada (de um jeito que daria calafrios na minha mãe) e chamou a atenção de uma fã. "Você não aprendeu a passar roupa lá em Miami?", ela postou, em referência a uma viagem recente dele e de Fátima para a cidade americana, em que ela o ajudava com o ferro. O rapaz até se explicou: "Esse é o tipo de coisa que eu já aceitei na minha vida e que eu sei que não consigo mudar: minha roupa amassada e meu cabelo assanhado. É isso, esse estilo desmantelado faz parte da minha natureza", ele disse. Tá bom, então.

Quando alguém diz que a saia de fulana é curta, o certo é dizer que cada um veste o que quiser. Quando mulher coloca roupa decotada, também. Então porque a gente se sente no direito de achar que a camisa de Túlio está errada? No post do advogado, tem inclusive uma mulher que o orienta a pedir para Fátima Bernardes passar a camisa para ele. Quê? Se ele não se importa em pegar o ferro e passar, por que ela deveria fazer isso?

Não consigo chegar a uma resposta para a minha pergunta. Comprar peças de tecidos que não amassem é o jeito arrumei de evitar esse tormento. Mas moro com mais quatro homens (sendo que um engatinha, usa fraldas e vomita às vezes, o que significa muita roupa suja todo dia). Primeiro, a roupa sai da máquina e é cuidadosamente esticadinha no varal. De lá, dobrada  e separada – tem roupa que precisa passar, não tem jeito. Mas a imensa maioria é só dobrar bem, esticar daqui e de lá e pronto: já está pronta para usar.  Uma parte de mim respira aliviada quando vê que assim a pilha à espera do ferro demora mais para crescer. Outra parte sai correndo atrás dos meninos que roubaram peças da pilha sem passar e estão quase saindo na rua amarrotados: "não vai sair assim, não!". A galera lá de casa reveza o uso da tábua conforme necessidade. Quando a gaveta enche, um dos adultos faz o serviço – não adianta correr, uma hora o bicho pega.

E vou vivendo, nessa personalidade dupla meio passada, meio amarrotada. Esse estilo desmantelado faz parte da minha natureza também, Túlio.

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).