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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Fique longe deles: é melhor evitar os taurinos

Luciana Bugni

01/05/2018 04h00

George Clooney é taurino, claro: olha a cara dele de quem tem razão

Touro? Primeiro você pensa um pouquinho e depois diz: acho que não conheço nenhum taurino… Claro que não conhece. Provavelmente alguém já agarrou aquele que estava destinado a você. É, tem isso: um bom taurino prefere as princesinhas. E você pode chorar, dizendo que também é capaz de ser princesa, mas desculpe… quem nasceu para mulherão jamais vai ser princesinha. E se essa preferência já não joga o suficiente contra os rapazes nascidos entre abril e maio, não faltam outras razões para ficar muito longe deles.

A sua ligação com um taurino provavelmente vai começar em uma festa de amigos em comum. Ele vai olhar, olhar, olhar. E mais nada. É só lá pelo quarto encontro casual que o moço vai chegar perto e dizer uma porção de bobagens. É o suficiente para estar completamente encantada. Sim, até você, que é vivida e não se ilude à toa, estará na dele. E se ele gostar de você, vai agir com uma determinação assustadora para conquistá-la. Sem nem se importar com o séquito de ex-casos, ex-namoradas, melhores amigas (sempre mulheres, sempre tratadas pelo vocativo "oi, linda" ao telefone) que não permite que tenham tempo livre para engatar uma relação agora. Eles são decididos (se acharem que devem, alugam um helicóptero para você chegar na hora naquela entrevista de emprego), têm uma força de vontade incrível (são capazes de ler duas vezes seguidas o mesmo livro de 532 páginas) e são práticos (mesmo que a decisão implique em mudar pra Bélgica atrás de você, ele vai e pronto)!

Mas sabe aquele cara legal, que tem mil amigos, conversa com todo mundo nas festas, conhece todos os filmes, elogia a comida da sua mãe, joga bola com seus primos? Então, ele gosta de todo mundo. E gosta muito de você também. E, como não sabe administrar tanto gostar, ele toma a decisão errada: abre mão do convívio com todas as outras pessoas para ficar só com você. Você pode até achar isso interessante no começo, quando está apaixonada. Mas eu garanto que lá pelo sétimo mês, quando quiser passar o dia na casa da sua mãe de moletom e meias… você vai desejar que ele queira muito jogar pôquer com os amigos e te deixe em paz.

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E tem a intensa capacidade de discutir – vai que você não acha que o Tarantino é tudo isso… Eles não descansam. Mesmo que você já tenha morrido de tédio, eles continuam falando, falando. Ah, e nem adianta apontar o erro. Mesmo que o universo mostre que ele errou, mesmo que esteja doendo muito, mesmo que tenha perdido dinheiro… ele é capaz até de discutir sabendo que estava errado sem nunca admitir. No fim, vai dizer simplesmente que estava dizendo o mesmo que você. Quem aguenta lidar com um poder de argumentação nesse nível? Nem perca seu tempo: ele só vai acreditar no que quiser porque, dizem, não existe cabeça mais dura do que a de um touro.

Existe, claro, o efeito bate-alisa. Passado o caos da briga, vai ter cafuné. Vai ter jura de amor. Digo mais: vai ter pedido de casamento enquanto saltam de paraquedas. Todos os seus amigos vão invejar o romantismo em que vocês vivem. Você vai quase acreditar que vive nas nuvens mesmo, mas… não é bem assim. Você escolheu um taurino. Aquele que é difícil de agradar. Aquele que é objetivo. Que confessa sem nenhum remorso que age muito, mas pensa bem pouco. Por isso, amiga, quando encontrar um ser raro, desses para casar e antes de dizer o "sim" no alto da torre Eiffel, tenha bem claro em mente: não há doçura que não torne o resto dos seus dias bem amargo.

PS: Esse é um texto de humor. Qualquer semelhança com canalhas da vida real é mera coincidência.

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).