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Luciana Bugni

Luciana Bugni

Porchat com o Jô: humildade profissional faz a gente crescer na carreira

Luciana Bugni

20/04/2018 05h00

Os humoristas e apresentadores: admiração mútua e respeito (Foto: Reprodução TV Record)

Quando Jô Soares entrou no estúdio do "Programa do Porchat", na Record, o anfitrião Fábio Porchat já estava chorando. Além da reverência a um ícone de TV, o humorista do Porta dos Fundos tem uma gratidão especial por Jô: foi em 2002, quando ele, ainda estudante universitário, participou da gravação de um programa, como plateia, que teve o estalo de ser comediante.

Na época, ele escreveu um bilhete para a produção pedindo um espaço para ler um texto de sua autoria. "Quando eu percebi que as pessoas estavam rindo do que eu dizia, decidi fazer isso para viver: fazer rir. Não foi ali que começou minha carreira, foi quando começou minha vida", disse Porchat, emocionado.

Jô recebeu os elogios educadamente, na conversa que foi ao ar quarta e quinta-feira agora e bateu recordes de audiência. E mais do que isso: ele os retribuiu. Não, não parecia aquela conversa de compadres em que um fica falando bem do outro e ninguém aguenta a rasgação de seda. Era respeito mesmo. Duas pessoas talentosas exaltando o talento um do outro.

E assim, eu fiquei pensando: por que a gente tem tanto medo de elogiar os pares no trabalho? Se a gente falar que eles fazem o trabalho deles lindamente, o nosso talento vai ser diminuído? Lógico que respeitar quem está na função há mais tempo que a gente, como o Jô, é básico. Mas ver que quem tem 30 anos de experiência na área de entrevistas, como ele, tem a humildade de dizer que também admira um "novato" como Porchat é uma lição, não?

Tenho uma teoria sobre a geração que está se formando agora na faculdade – e que, precisamos dizer, passou uns quatro anos nas salas de aula rodando a timeline do Instagram, sem paciência para nada. Quando chega ao mercado de trabalho, falta paciência também para entender que a roda não gira tão rápido quanto o feed das redes sociais. Fica-se um tempo – talvez maior do que se acha necessário – na mesma posição, sem ser promovidos. E olhar para os superiores com respeito pode ser muito  mais vantajoso do que passar os dias impacientes durante o horário comercial pensando "por que eu ainda não estou no lugar dele?".

Lógico que toda generalização é injusta. Tem uma galera com muita vontade de aprender que está saindo da faculdade agora. Assim como as gerações mais velhas têm muito o que aprender com os jovens  – como é que podem entender novas redes sociais tão rápido e intuitivamente? Mas o equilíbrio é enriquecedor para ambos os lados. "Tem que ensinar tudo para esse menino", disse Jô, no meio da entrevista, rindo. Fábio, numa posição de humildade admirável, apenas concordou. E ouviu o que Jô tinha a dizer com real interesse.

A gente aprende todos os dias mesmo.

Tem mais detalhes da entrevista aqui.

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).