Luciana Bugni

Antes mal acompanhado do que só - porque é tão difícil ficar sozinho

Luciana Bugni

12/12/2017 08h00

Lembrei outro dia da Abajur, apelido que a namorada de um amigo ganhou. Ela era muito linda, muito linda mesmo. Não um linda comum. Um linda que, quando entrava no ambiente, todo mundo parava e ficava olhando. E era isso. Ela nunca falava nada, não tinha grande coisa para acrescentar nas conversas. Era no máximo um “aham”, ou um “tá bom”. Não era timidez, não. Ela só não tinha o que dizer. Funcionava mesmo como um abajur: ficava ali iluminando o ambiente com sua radiante beleza e só isso.

Aí você me diz que isso já é uma função e tanto: ser linda é boa parte do que muita gente espera do parceiro. Mas você consegue ficar um tempo com uma pessoa que não acrescenta nada de nada? Sim, disseram meus amigos quando eu perguntei. Tem sexo, tem comodidade e vai indo… “Você não está fazendo nada melhor e vai empurrando”, disse uma amiga. O namorado da Abajur diz que a via como um troféu. Que ser visto com ela fazia com que ele se sentisse melhor. Amor? Ele até tentou se enganar por um tempo. Mas não aguentou e correu da situação, claro. Ficar com alguém com quem não se tem sintonia tem data para acabar e a gente geralmente não consegue empurrar muito. Por mais que a comodidade esteja falando alto, vai ter um domingo à noite em que se quer ver um bom filme, ter uma conversa legal, um olho no olho…

É difícil ficar sozinho. Não só pela falta óbvia de sexo, que é até a parte mais fácil de resolver da história. Difícil é vencer o tédio. A certeza de que ninguém vai entrar pela porta da sua casa à noite. A solidão é um negócio bem complicado. Você quer ter para quem contar o que aconteceu no trabalho, por mais bobo que seja. Quer mostrar a música nova que descobriu para alguém. E outra: decidir acabar com um romance que não está caminhando junto com você, mas que também não está fazendo mal, nem bem, é uma atitude corajosa. Lá vai você contar para seus pais que não deu certo (de novo). E conhecer outra pessoa? Isso dá um trabalho danado…

Mas, no que diz respeito ao autoconhecimento, a ser um ser humano melhor, a ficar mais forte… ah, não tem nada melhor do que a solidão. Ficar sozinho pode fazer milagres para o engrandecimento pessoal. É só conseguir ultrapassar a barreira do tédio, descobrir as qualidades de sua própria companhia e pronto. Você ficou invencível. Aí não há nada mais que te derrube. Você nunca mais vai insistir para uma história fadada ao fracasso dar certo. Nem sair de mãos dadas com um abajur por aí…

A gente precisa ter alguma sintonia para ser um casal, né não? (Foto: Reprodução)

 

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre dois adolescentes, um bebê e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita comerciais na TV, conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e a revista “AnaMaria”. Já trabalhou no “Diário do Grande ABC”, “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).

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