menu
Topo
Luciana Bugni

Luciana Bugni

Indiretas nas redes sociais: 2019 e tem gente que ainda acha que funciona?

Universa

2013-06-20T19:04:00

13/06/2019 04h00

(iStock)

Até quem nunca fez algo do tipo, sabe do que eu estou falando: você está passando pela timeline e de repente dá de cara com uma mensagem cifrada, que poderia tanto ser para você como poderia ser para qualquer pessoa do mundo.

"Gente que chega no trabalho e não dá bom dia", você lê que uma colega escreveu. Refaz mentalmente o caminho do elevador até a sua mesa e pensa: será que fui eu que não dei bom dia? Geralmente não foi você. É muito difícil que a pessoa que deveria ser impactada pelo autor da indireta leia sobre o assunto e realmente repense seus hábitos. Resumindo, quem não dá bom dia nem vai pensar no post. Mas os autores de indireta continuam postando e postando.

Veja também

Eu não entendo muito bem o mecanismo que leva uma pessoa a reclamar de alguém aos quatro ventos, para 500 conhecidos na rede social. Não seria mais fácil escrever diretamente para a pessoa? "E aí, fulana, tenho percebido que você não dá bom dia, seria legal rever isso e tal". Ou mais simples, como a gente fazia nos anos 90, antes de existir internet: BOM DIA, NÉ, FULANA.

Pronto. Tão mais fácil, tão menos desgastante. Vira até piada, olha que leveza.

Ontem foi dia dos namorados e teve indireta de famoso e de anônimo. Mas gente, precisa mesmo ficar passando uma mensagem toda cheia de código para mostrar que superou o ex? Não seria o caso de não dizer nada e, assim, provar que superou o ex? Ou, se não é o caso, ligar e dizer que está com umas questões aí e que seria bom conversar e esclarecer as coisas.

Às vezes eu evoco os anos 90, mas não é saudosismo não. É só porque eu acho que era mais fácil lidar com relacionamentos humanos antes de ter um computador, um celular ou uma máquina entre os humanos.

Tem outro tipo de indireta clássica que é: "acho engraçado que".

"Acho engraçado que todo mundo se oferece para ajudar, mas ninguém ajuda". Cara, eu sinto muito. Esse post vai só gerar um ciclo da atitude que você está criticando. Todo mundo vai comentar dizendo: "precisa de algo?" E ninguém vai fazer absolutamente nada. Melhor ligar para pessoas confiáveis e realmente pedir ajuda diretamente.

E outro tipo indireta: gente que curte a indireta para dar indireta de que leu a quem fez a indireta. Se a frase ficou confusa é porque a atitude é pior ainda.

Não sei muito bem lidar com indireta. Fico com dó da pessoa. Deve ser muito triste você não ter ninguém para desabafar e ter que soltar rancor pelas redes para se aliviar. Para mim não faz muita diferença, porque o que mais tem na internet é gente me xingando mesmo. Mas será que tem alguém que se ofende de verdade?

Me dá vontade de curtir mesmo a mensagem.

Só para a pessoa não descobrir que, na verdade, ninguém se importa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Luciana Bugni é jornalista e escritora. Vive entre quatro rapazes, muitas bolas de futebol e uma gata, descomplicando a vida e parindo ideias. Edita conversas antigas (é cada resposta que a gente poderia ter dado...), cardápios e reportagens na Universa, aqui no UOL. Já trabalhou na “Revista AnaMaria”, no “Diário do Grande ABC”, no “Agora São Paulo” e na “Contigo!” e se especializou em jornalismo feminino popular. Acredita no amor, que mostarda melhora tudo e que as madrastas são uma classe injustiçada pela literatura infantil.

Sobre o Blog

Um olhar esperançoso sobre a geração que está com 30 e poucos anos, recorrendo aos apps de paquera na marra ou tentando salvar o segundo casamento com todas as forças. E enquanto isso, trabalha, cria pessoinhas e faz de tudo para se divertir (desde que o samba é samba é assim).